Um mês para viver

Imagine: O que você faria se tivesse apenas mais um mês de vida? Considerando que você tivesse as últimas doses de saúde por apenas um mês antes de partir, como você faria a despedida da tua vida?

A maioria responde que aproveitará seus últimos dias de vida desfrutando de todo tipo de prazer, como compras, sexo, viagens, degustando deliciosas refeições, experimentando a realização de sonhos e etc. Outros buscam ficar o máximo de tempo com a família e amigos para amá-los e acertar as contas com alguns erros do passado. Alguns outros caem em desespero e apressam a chegada da morte enterrados no túmulo da depressão. Já outros, continuam fazendo e (sobre)vivendo do mesmo jeito, sem mudar absolutamente nada em sua rotina existencial esperando a chegada da bem-vinda morte.

Muitos, quando escutam essa pergunta, se sentem jogados contra a parede. Porque essa pergunta parece ser fatalista, mas na verdade nos lembra que o relógio da vida passa rápido demais e que a vida é “como uma névoa que aparece por pouco tempo e logo se dissipa” (Tg 4:14b). Não importa quem você seja, a mortalidade nos nivela por baixo. Porque não podemos negar que a vida é finita, limitada, frágil e vulnerável diante da existência. Por mais lógico que seja, só basta estar vivo para morrer a qualquer momento. E isso é fato comprovado, porque a morte não avisa quando chegará.

Por outro lado, como disse Alan Sachs “A morte é mais universal que a vida; todo mundo morre, mas nem todo mundo vive.” Dessa forma, se soubéssemos que temos apenas mais um mês de vida, acredito que viveríamos de maneira diferente. Saber que temos um mês de vida nos faz pensar sobre o sentido da nossa vida. Harold Kushner acertadamente disse que “o medo de morrer, de nossa vida chegar ao fim não tira tanto o sono quanto o medo que atinge a todos de que talvez não tenhamos vivido”. Penso que a maior tragédia da existência é olhar sua vida no retrovisor e perceber que viveu sem sentido nem propósito.

Por isso, acredito que essa é a hora para pensar sobre como temos vivido. Assim, venho convidar você para participar conosco da série de mensagens bíblicas: “UM MÊS PARA VIVER”. Vamos aprender com Jesus como viver bem com mensagens todos os domingo e quintas-feiras a partir de 04 de janeiro de 2009 às 20:00H. Acredito que Deus vai falar muito com você. E você aprenderá pistas de como viver com qualidade de vida do útero à sepultura. Espero que no final dessa série de mensagens, você não tenha mais medo de morrer nem de viver.
Venha receber a vida em abundância que Jesus prometeu e viva com qualidade de vida em 2009.

Em Cristo, a vida em abundância de graça.

Jairo Filho

A importância de um elogio

O marido nu, olha-se no espelho e diz para a esposa:

- Estou tão feio, gordo, broxa, acabado! Preciso de um elogio...

E a esposa responde:

- Sua visão está ótima, querido

Qual a mensagem dessa foto-grafia?



O Retorno do Filho Pródigo - Obra de Rembrandt.

Leia Lucas 15, olhe para esse quadro e volte-se para Deus.

Qual a mensagem dessa foto-grafia?



Desmascare-se

Quem você é quando ninguém está olhando?

O que você faz, não faz ou desfaz quando está sozinho?

Esta é a nossa escola dominical...

"Essa é a nossa escola
A escola dominical;
essa é a nossa escola
A escola sem igual;
Escola sem igual que faz bem a muita gente;
Quem não vem à essa escola com certeza esta doente;
Com certeza está doente ou estava trabalhando;
Quem trabalha nesse dia do senhor está roubando;
Do senhor está roubando quem aqui chega atrasado;
O seu nome fica ausente e ele fica envergonhado;
Ele fica envergonhado por não saber a lição;
Professor faz a pergunta ele diz: eu não sei não!
Não sei não..não sei não ..(2x)
Professor faz a pergunta ele diz: eu não sei não!”


Essa é a letra de uma música que eu cantava quando criança todo domingo antes da divisão de salas na EBD.

Que letra terrível né?

Quem trabalha no domingo é ladrão? Rouba do Senhor?

A pergunta que o professor faz da lição é para envergonhar o aluno?

Quem é o aluno hoje que fica envergonhado por não saber a lição?

Então quer dizer que o medo de ficar envergonhado é o maior motivo de não chegar na EBD atrasado?

Essa música parece mais uma "zueira" com aqueles que chegam atrasado.

Imagina essa música sendo cantada com o dedo indicador apontado na cara daqueles que são obrigados a trabalhar no domingo e/ou aqueles que chegaram atrasados na EBD.

Imaginou?

Sentiu-se culpado?

Pronto.

Esse é o objetivo da música: Criar evangélicos cheio de complexo de culpa em relação a EBD.

Vamos pensar sobre as motivações que nos levam a igreja, culto, EBD.

Em Cristo, que me livrou de ir a EBD pela culpa para ir a EBD pela graça.

Jairo Filho

Fé e Obras



Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus;não vem de obras, para que ninguém se orgulhe. Pois fomos feitos por ele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, previamente preparadas por Deus para que andássemos nelas. Efésios 2:8-10 (Versão Almeida século 21)

Meus irmãos, que vantagem há se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiverem necessitados de roupas e do alimento de cada dia, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos, e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que vantagem há nisso? Assim também a fé por si mesma é morta, se não tiver obras. Tiago 2:14-17 (Versão Almeida século 21)

Repito e tornarei sempre a repetir quando for necessário: A Religião ensina que devemos fazer boas obras para ser salvo. Mas o evangelho ensina que somos salvos pela graça para fazermos boas obras que evidenciam nossa salvação.

Infelizmente isso não tem sido entendido pelos evangélicos. De um lado, temos aqueles religiosos extremados: Fazem muitas boas obras de caridade na esperança de serem perdoados de seus pecados e garantirem seu terreno no paraíso eterno. E de outro lado, aqueles que dizem que são salvos pela graça, mas não fazem nada para evidenciarem sua salvação, regeneração, conversão e que são discípulos de Cristo para o mundo.

Os dois textos citados são claros e acabam com esses extremos da religião: Pela graça somos salvos; e por isso, fomos criados em Cristo Jesus para fazer boas obras. Sendo assim, aquele que diz ter fé e não a evidencia pelas suas boas obras, essa fé está morta. Este nunca foi salvo. E aquele que diz que contribui para comprar a salvação, anula a graça da cruz de Cristo, nunca foi salvo de si mesmo nem contribui com generosidade incondicional; mas sim, faz doações com segundas intenções, a saber, ganhar créditos no céu para ser salvo.

Aplicando esses textos a tudo o que estamos sabendo sobre a tragédia no estado de Santa Catarina, não podemos cruzar os braços na inércia, exclusivamente dobrar os nossos joelhos e orar com fé, despedindo nossos irmãos alagados dizendo: “Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos”. Nem muito menos podemos dizer: “Vamos todos fazer caridade para que Deus no dê sua vida eterna”. Nem muito menos jogar esse sofrimento humano para a “espiritosfera” e fabricar uma batalha espiritual ilusória, dando gritos de ordem contra os demônios das tempestades, nem soltar verbos imperativos aos quatro ventos contra o demônio dos alagamentos. Não podemos fazer isso de braços cruzados, como sublimação dos demônios da indiferença que estão possuindo o coração de muitos religiosos evangélico que preferem subir nos trio-elétricos na marcha ré do evangelho e soltar suas vozes nos púlpitos e palcos dos shows gospel a estender a mão e levantar os caídos e desesperados de Santa Catarina. Acredito que tem muitos evangélicos dizendo uma coisa ou outra; ou todas elas.

Também, essa não é a hora de fazer uma teodisséia acerca das chuvas, alagamentos, desabamentos, desabrigados e mortes. Fazendo uma teodisséia ou não, o sofrimento humano estará sempre inserido em nosso planeta. Essa não é a hora de ficar na arquibancada analisando o que acontece no campo alagado da vida, nem se esconder nas salas de ar-condicionado escrevendo sobre tragédias, nem muito menos ser inflamado pela verborragia hipócrita do discurso do “faça o que digo, mas não faça o que faço”.

Na verdade, essa é a hora de enxergarmos Jesus no rosto do oprimido e encorajá-lo, na vida do desabrigado e acolhê-lo, naquele que está nú e vestí-lo, nos que tem fome e alimentá-los; enfim, servir às pessoas servindo a Cristo, para que “assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está no céu.” Mt 5:16.

A comunidade cristã onde convivo já arregaçou as mangas e está contribuindo com os nossos irmãos de Santa Catarina. Espero que a motivação da contribuição não seja para merecer a salvação nem para criar um ringue de competições e comparações para saber quem dá mais no leilão da justiça própria; mas sim, doar porque já somos salvos pela graça; e por isso, somos chamados para contribuir pela graça de Deus com os necessitados.

Em Cristo, que nos ensinou a graça de doar doando

Jairo Filho

"Faça por merecer"


Esta é a última frase dita, antes de morrer, pelo capitão John Miller (Tom Hanks) para o James Ryan (Matt Damon) no final do filme “O Resgate do Soldado Ryan”. Este filme retrata uma história da segunda guerra mundial: Após a invasão dos aliados à praia de Ohama na França, acontece a maior batalha da segunda guerra mundial que marca o famoso “Dia D”. O pelotão do capitão John Miller é quase extinto no “Dia D”, restando apenas alguns poucos soldados. Nesse momento um dos generais do exército estadunidense e o presidente do país, recebem a notícia de que 3 de 4 irmãos da família Ryan, filhos de uma viúva solitária, foram mortos durante a Guerra. Apenas um filho estava vivo, mas não se sabe onde ele está.

Com isso, o capitão John Miller recebe a missão de resgatar o último soldado Ryan em troca do direito de seu pelotão voltar para casa. Durante a procura pelo soldado Ryan, muitos soldados do pelotão morrem. E assim, começa uma discussão entre os soldados, se vale a pena sacrificar todo o pelotão por um soldado desconhecido. Durante uma conversa entre os soldados, o capitão Miller diz mais ou menos assim: “Espero que esse Ryan seja um bom soldado e invente a cura para o câncer, para valer a pena o sacrifício do resgate”.

Na parte final do filme, o capitão Miller, encontra e conhece o tal soldado Ryan. O Capitão percebe que ele é um bom e fiel soldado. E por isso, decide protegê-lo contra um iminente ataque dos nazistas a uma ponte guardada pelos aliados. Durante esse ataque, o capitão Miller é baleado um pouco antes do fim dessa batalha. Quase morrendo, o capitão Miller balbucia no ouvido do Ryan suas últimas palavras antes de morrer: “Faça por merecer”.

Essa última frase é levada pelo Ryan por toda a sua vida. O filme mostra o Ryan já idoso, com esposa, filhos e netos o acompanhando ao cemitério para homenagear os soldados mortos. Em frente ao túmulo do capitão Miller, o Ryan diz mais ou menos assim: “Eu tentei ser o melhor homem durante toda a minha vida. Tentei fazer por merecer o seu sacrifício de me resgatar”. Com muitas lágrimas, o Ryan, cheio de aflição, insegurança e desespero, diz repetidamente a sua esposa: “Diga que eu fui um bom homem.” Ele precisava de uma aprovação da esposa para lhes aliviar a dor da consciência de que devia sua vida ao seu salvador, o capitão Miller; e ainda, não tinha certeza se tinha conseguido pagar a salvação, fazendo por merecer o resgate recebido.

Percebo que esse soldado Ryan carregou dentro de si, durante toda a sua vida, uma dívida impagável e uma responsabilidade nervosa e cheia de culpa de fazer por merecer o resgate recebido sendo um bom homem. Ou seja, o capitão Miller salvou o soldado Ryan para que ele pudesse pagar o resgate sendo um bom homem. Mas é possível pagar a salvação?

Esse filme pode ser uma ótima ilustração que retrata exatamente a religiosidade cristã evangélica brasileira. Os evangélicos recebem a salvação de Deus e passam sua vida inteira tentando quitar a dívida com suas boas obras de justiça própria. Passam sua vida imaginando que Cristo disse antes de morrer: “Faça por merecer meu sacrifício por vocês. Faça por merecer a salvação”.

Dessa forma, é importante afirmar que toda religião ensina: obedeça para ser salvo. Ou seja, obedeça para receber a salvação. Isso é a teologia do mérito da religiosidade: Faça algo para Deus ou para o próximo para merecer a salvação e/ou as bênçãos de Deus. Assim, o religioso vive fazendo sacrifícios para comprar, conquistar, adquirir e ganhar a salvação de Cristo como retribuição e/ou prêmio merecido.

Quem vive assim, corre, pelo menos, 7 perigos e muitas conseqüências:

1. Obedecer a Deus em forma de contrato utilitarista: Cria um acordo com Deus: Só obedece a Deus para cumprir sua parte e espera que Deus cumpra a dele. Assim, faz sua parte (obediência) e espera a retribuição (a salvação/bênção). E quando Deus não cumpre sua parte no contrato, ameaça Deus de abandoná-lo, ou realmente o abandona por que Deus não tem mais utilidade. Ou seja, obedece a Deus enquanto há vantagem.

2. Obedecer a Deus com expectativa de premiação e retribuição: Obedece sempre esperando elogio, aplauso, promoção, benção, milagres, recompensa, retribuição. Tem um relacionamento de barganha, negócio, troca, de toma lá, dá cá, bumerangue. Ou seja, a obediência compra a recompensa e passa ser uma ferramenta e moeda de troca, compra, manipulação e bajulação. Sendo assim, você é capaz de obedecer a Deus quando ninguém está olhando? Você seria capaz de obedecer a Deus mesmo sabendo que não irá ganhar nada?

3. Obedecer a Deus de forma mecânica: Quem obedece esperando receber prêmio de Deus, com o passar do tempo, obedece sem amor, alegria, liberdade e espontaneidade. A obediência é feita sem nenhum afeto e amor para com Deus; mas sim, com a intenção e motivação de ganhar vantagens na relação de troca com Deus. Assim, o desejo pela pessoa e amor de Deus é trocado pela satisfação dos desejos gulosos pelo que o poder de Deus pode dar na troca. O resultado disso é uma fé fria, cultos mortos, vãs repetições litúrgicas, ministérios feitos para aliviar o peso da consciência religiosa, devocionais cheio de rotina, orações decoradas, leituras bíblicas mecânicas etc.

4. Obedecer a Deus por medo de seu castigo: Imagino que se não tivesse inferno ou castigo, muitas pessoas não obedeceriam a Deus. Isso nos leva a pensar que a maior motivação para obedecer a Deus é o medo de Deus e seu castigo. Por isso, quando alguém comete algum pecado (real ou imaginário) imagina que Deus irá castigá-lo e mandá-lo para o fogo do inferno, porque Deus não o ama mais por causa do pecado cometido. Assim, com tanto medo do castigo de Deus, parece que a única saída para uma vida sem dor é a obediência por medo.

5. Obedecer a Deus por complexo de culpa: Aquele que peca por algum motivo, fica se sentindo culpado, ou quando a obediência não gera benção, pensa que fez algo de errado. Assim, carrega dentro de si, durante toda a sua vida, uma dívida impagável e uma obrigação de penitência para se livrar do castigo e pedir perdão. Por isso que existe tanto religioso cheio de complexo de culpa imaginária e fabricada pelos dogmas da religiosidade, vivendo com medo, nervoso, perturbado, condenado pelas grades do passado, apedrejado pela lei, acorrentado pelo perfeccionismo espiritual e cheio de feridas na alma.

6. Obedecer a Deus motivado por orgulho e exigência de direitos: Se aquele que peca fica com medo de Deus e cheio de culpa, então aquele que obedece fica cheio de orgulho por ter feito sua parte no contrato e cheio de direitos diante de Deus, chegando até mesmo a dar ordens reivindicando que Deus faça sua parte no contrato e determinando o agir de Deus.


7. Obedecer a Deus para ser senhor e salvador de si mesmo: Assim, o coração cheio de obediência pelas obras da justiça própria anula o sacrifício da cruz. Ou seja, o sacrifício humano de obedecer a Deus para merecer a salvação, torna inútil e inválido o sacrifício da cruz de Cristo. E assim, a salvação pelas obras faz sermos senhor e salvador de nossa própria vida. Ou seja, aquele que obedece para ser salvo nem precisa da obra da cruz para salvação. Ele é salvador e senhor de si próprio, uma vez que o sacrifício da obediência e da penitência foram feitos por ele mesmo para conquistar sua própria salvação. Dessa forma, nem precisa de ter fé em Cristo; é só exercer auto-ajuda para salvação, porque tem-se fé em si mesmo. E assim, surge a ego-latria, o culto a si mesmo.

Pense nisso!

Em Cristo, que nos salvou de nós mesmos

Jairo Filho

O alto executivo e o frentista do posto de gasolina

Thomas Wheeler, alto executivo de uma multinacional, viajava com sua mulher por uma estrada quando notou que o carro estava com pouca gasolina.

Ele parou num posto e pediu ao único atendente que enchesse o tanque e verificasse o óleo enquanto ele dava uma volta para esticar as pernas.

Voltando ao carro, percebeu que o frentista e sua mulher estavam num papo animado. A conversa parou enquanto Wheeler pagava pela gasolina. Mas, ao retornar ao carro, ele viu o rapaz acenar e dizer:

- Foi ótimo falar com você!

Ao sair do posto o marido perguntou à mulher se ela conhecia o atendente. Imediatamente ela admitiu que sim. Tinham freqüentado a mesma escola e ela o namorara por cerca de um ano.

- Puxa, você teve sorte de eu ter aparecido! - Wheeler se vangloriou. - Se tivesse casado com ele, seria agora a esposa de um frentista de posto de gasolina em vez de ser esposa de um alto executivo!!...

- Meu querido... - respondeu a mulher - Se eu tivesse me casado com ele, ele seria o alto executivo e você, o frentista do posto de gasolina.

Quem fica com o filho?

Em um julgamento de divórcio, o casal briga pela guarda do único filho.

A mãe, muito emocionada, tenta se defender:

- Meretíssimo Juiz... Esta criança foi gerada dentro de mim.... Carreguei ela durante nove meses... Ela saiu do meu ventre... eu mereço ficar com ela!

O juiz, emocionado e quase convencido, passa a palavra para o marido, um engenheiro que resolve usar o seu lado lógico:

- Senhor Juiz, tenho apenas uma pergunta: Quando coloco uma moeda em uma máquina de refrigerantes, a latinha que sai é minha ou da máquina?

Qual a mensagem dessa foto-grafia?



Falar demais, escutar de menos

"Lembrem disto, meus queridos irmãos: cada um esteja pronto para ouvir, mas demore para falar e ficar com raiva." (Tg 1:19 - Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Pense nisso!

Em Cristo,que teve domínio próprio.

Jairo Filho

A grande omissão

Era uma vez uma ilha paradisíaca rodeada por um mar bravo e perigoso; habitada por uma vila de pescadores.

Conta-se que estes pescadores eram bons trabalhadores, amigos uns dos outros, conservavam um caráter impecável, valorizavam e preservavam a natureza e a vida em comunidade.

Tudo corria muito normal, até que em um dia pacato, surge uma notícia urgente que abalou a rotina dos pescadores:

- "Aconteceu um naufrágio! Aconteceu um naufrágio! Tem muita gente ferida se afogando. Vamos ajudá-los". Gritou um pescador desesperado.

Sem pestanejar, todos os pescadores unidos foram ajudar os sobreviventes daquele terrível naufrágio engolidos pelo mar bravo daquela ilha.

No fim das contas, aqueles simples nativos se transformaram em heróis ao pescarem os feridos e afogados com muito sucesso. Após esse salvamento, os pescadores reconheceram que sua missão na vida era de resgatar náufragos daquele mar perigoso.

Então, os pescadores se reuniram e resolveram se preparar e se organizar melhor para um outro possível naufrágio.

E foi isto mesmo que aconteceu: um outro naufrágio apareceu. E os pescadores, agora de plantão, preparados e organizados, se lançam ao mar para pescar as pessoas engolidas pelas ondas. Com muito mais rapidez e eficiência, o resgate é feito com muito mais sucesso do que o anterior. E esse resultado contagia todos os pescadores com muita alegria, pois confirma mais ainda a missão que eles receberam da vida.

Animados com o sucesso dos resgates que fizeram, os pescadores decidem construir uma casa que servirá de pronto socorro e escola para treinar novos pescadores salva-vidas. E assim, eles fazem uma arrecadação mensal para cobrir as despesas da construção e manutenção dessa casa de salvação.

Depois de algum tempo, a casa de salvação está pronta. Chega o dia da inauguração. Quando todos estavam apostos para cortar a faixa inaugural, surge, de repente, a notícia de mais um naufrágio.

O desespero e a indecisão tomam conta de todos. O desespero pela emergência do resgate e a indecisão para saber se continuam ou não com a inauguração. Diante desse impasse, uns decidem continuar a tão esperada inauguração para depois fazer o resgate. E assim, demoram tanto para entrarem no mar que a salvação dos náufragos não tem o mesmo sucesso que as anteriores. Apesar do resgate ter sido feito, alguns náufragos chegam à praia com muitos ferimentos graves, e, como conseqüência da demora do resgate, morrem agonizando de dor nas areias da ilha.

Esse episódio comove muitos pescadores. Como conseqüência disso, é feita uma reunião para apurar os culpados pela omissão do resgate.

Após a apuração dos fatos, bem no fim da reunião, fica decidido sobre a necessidade de eleger uma diretoria da missão dos pescadores para tomar as medidas cabíveis diante de importantes decisões.

Para a felicidade de todos, no outro dia, os pescadores se reúnem mais uma vez para a eleição da diretoria da missão. E no fim desse mesmo dia, a diretoria é eleita com uma grande festa numa balada que dura a noite inteira.

Como parte do primeiro mandato, o presidente da missão e toda a diretoria fazem um novo programa de treinamento e capacitação para novos pescadores. Eles promovem conferências e congressos, criam mais departamentos de finanças, reformam a casa da salvação construindo mais salas, gastam muito dinheiro comprando ar-condicionado, mesas e cadeiras confortáveis, computadores sofisticados de ultima geração, muito material supérfulo para escritório, gastam muito tempo em reuniões criando um regimento interno complexo e legalista, e promovem mensalmente festas comemorativas de confraternização dos funcionários.

Certo dia, em uma determinada reunião burocrática da instituição, os pescadores-executivos receberam mais uma notícia de um naufrágio. Quando souberam do naufrágio, a diretoria decidiu que seria muito arriscado entrar no mar naquela hora. O secretário de obras tomou a palavra e se desculpou dizendo que a casa da salvação estava muito limpa e organizada e as pessoas feridas iriam sujar tudo. Se a casa da salvação receber gente imunda vai acabar com os planos de fazer uma nova plástica e lipo nas paredes novas da casa. O escrivão se justificou dizendo que era necessário ter ordem no processo de entrada dos náufragos na vila; e, naquele momento, já tinha passado seu expediente de trabalho.

Além disso, enquanto acontecia o naufrágio, toda a equipe de resgate estava dispersa ocupada no vício do ócio burocrático das desculpas. Os profissionais de saúde estavam de braços cruzados se preparando para a festa de logo mais a noite. Os salva-vidas estavam fazendo natação e musculação a fim de aprimorar seus músculos no espelho narcisista. Os pilotos dos barcos estavam brincando de desmontar o motor do barco, enquanto os motoristas das ambulâncias estavam no lava-jato numa competição de limpeza. Os alunos do treinamento de salva-vidas estavam na biblioteca fazendo uma pesquisa para a sua tese de final de curso. E os demais voluntários do resgate estavam desocupados experimentando a melhor fantasia para a festa de logo mais.

Enfim, a história termina com o mais trágico naufrágio de todos os tempos. Os feridos que conseguiram chegar à praia morreram agonizando de dor à espera de socorro. No fim de tudo, ninguém sobreviveu.

Aqueles simples pescadores, amantes do mar e da vida, trocaram o barco, os remos e as redes, pela burocracia dos papéis inúteis da institucionalização.

A casa da salvação se transformou na casa da omissão.

Qualquer semelhança com a igreja evangélica não é mera coincidência.


Em Cristo, que resgatou homens pecadores para torná-los pescadores de homens.

Jairo Filho.

A banda do bando de Jesus

Prezado Senhor Nazareno,

Obrigado por enviar-nos o “curriculum vitae”, o “histórico escolar e familiar” e o resultado do “teste psicoténico” dos 12 candidatos a componentes da banda do Messias.

Depois de uma investigação minunciosa, segundo os padrões de sucesso do mercado gospel, informamos que este bando de candidatos está absolutamente inapto a tocar no som do céu para o Cristo.

Nossos testes ofereceram os seguintes resultados: O vocalista principal Simão Pedro é emocionalmente instável e sujeito às explosões intempestivas de um temperamento descontroladamente colérico. Quando pressionado, nega que é músico da banda que faz parte para aceitar propostas de produtoras musicais de todo mundo. É extremamente curioso, pragmático, impaciente, ativista, incrédulo, covarde, atrevido, não tem vocação musical nem sabe trabalhar em equipe.

Os dois irmãos backing vocal, Tiago e João, são egoístas a ponto de colocarem sempre interesse de fama, sucesso e poder acima da lealdade e serviço a banda. Sempre faltam aos ensaios para buscarem a glória para si. E nem se importam com o restante da banda. Além disso, o violonista André não tem nenhuma qualidade de liderança, pois falta muito iniciativa de sua parte para empreender composições musicais e turnês para a banda.

Tomé, sempre está para baixo com seu baixo de 6 cordas. Demonstra pessimismo, dúvida, incredulidade, incerteza que contagia e abala sempre o restante da banda. E não faz nenhum esforço para acreditar na banda, uma vez que só acredita que a banda pode lançar um CD quando seus ouvidos escutarem as músicas gravadas no CD.

Mateus, o baterista, é um consumista de primeira. Ele tem extrema dificuldade em administrar suas finanças, a tal ponto que está com seu nome no SPC. Além disso, soubemos que ele se corrompe facilmente por um punhado de adulação e dinheiro. E é muito mal falado na cidade pelos religiosos. Assim, fica difícil colocar ele na banda e na capa do CD. Ele está sendo caçado por corrupção no banco que trabalhava.

Tiago, filho de Alfeu, e também Tadeu, que são os guitarristas, tem definitivamente inclinações racistas radicais e ambos atingiram uma marca elevada na escala maníaco-depressíva. Gostam de ficar no quarto ouvindo músicas melancólicas e sempre estão andando na periferia da banda. Se entrarem para a banda, poderão faltar a ensaios e shows por causa de uma depressãozinha de nada ou por preconceito com relação ao público que poderão se apresentar. Com certeza o astral da banda vai ser abalado com a chegada deles.

Em relação aos outros candidatos, não sabemos muito acerca deles. Eles são como um zero a esquerda, se escondem no anonimato, fogem dos holofotes da mídia, não tem nenhuma informação de destaque em seu currículum e não sabemos nada de suas origens familiares; enfim, quase ninguém os conhece. Assim, é prudente não aceitar desconhecidos na banda.

Mas, existe um único candidato que, ao nosso ver, tem condições de entrar para a banda do bando de Jesus. Ele é um músico extremamente capacitado. Ele tem muito contato com políticos, líderes religiosos, celebridades, agentes publicitários, diretores de TV e gravadoras famosas. Além disso, ele tem um gênio político muito forte, sabe se relacionar bem com todas as crenças, conserva um espírito empreendedor, e é um ambicioso de mão cheia. O nome dele é Judas. Ele é o único que poderia ser da banda do Messias. Contrate-o. Ele é um bom negócio e um ótimo investimento.

Agradecidos pela atenção,
Consultoria de Recursos Humanos gospel da Judéia.


Será que Jesus aceitaria uma consultoria como essa? Pense nisso!

Em Cristo, que não vê a aparência da cara, mas a transparência do coração para transformá-lo.

Jairo Filho

Qual a mensagem dessa foto-grafia?




A vida como ela é...

Tudo é ilusão, inútil, vaidade...é como perseguir o vento.

No fim das contas, a busca pelo sucesso de uma vida inteira é como o hálito que sai da boca; logo desaparece.

A vida é assim...é a vida como ela é

Olhe bem para esta foto e leia o livro de Eclesiastes.

E depois tire suas conclusões sobre a vida

Pense nisso. E durma com esse barulho.

Em Cristo, o sentido da minha vida.

Jairo Filho

Qual a mensagem dessa foto-grafia?



GERAÇÃO MÚLTIPLA ESCOLHA

Qual é a sua geração?

Qual é a sua escolha?

Você tem escolha?

Você é livre para escolher?

Quais os critérios para suas escolhas?

Quais as conseqüências de suas escolhas?

Qual a mensagem dessa foto-grafia?




As 95 teses de Lutero para nossa atual igreja brasileira

Tolerância Zero

Quando te vêem deitado, de olhos fechados, na sua cama, com a luz apagada e te perguntam:
- Você tá dormindo?
- Não, tô treinando pra morrer!

Quando a gente leva um aparelho eletrônico para a manutenção e o técnico pergunta:
- Tá com defeito?
- Não é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

Quando está chovendo e percebem que você vai encarar a chuva, perguntam:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.

Quando você acaba de levantar, aí vem um idiota (sempre) e pergunta:
- Acordou?
- Não. Sou sonâmbulo!

Seu amigo liga para sua casa e pergunta:
- Onde você está?
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

Você acaba de tomar banho e alguém pergunta:
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!

Você ta na frente do elevador da garagem do seu prédio e chega um que pergunta:
- Vai subir?
- Não, não, tô esperando meu apartamento descer pra me pegar.

O homem chega à casa da namorada com um enorme buque de flores. Até que ela diz:
- Flores?
- Não! São cenouras.

Você está no banheiro quando alguém bate na porta e pergunta:
- Tem gente?
- Não! É o cocô que está falando!

Você chega ao banco com um cheque e pede pra trocar:
- Em dinheiro?
- Não, me dá tudo em clips.

Sujeito entrando em uma agropecuária.
- Tem veneno pra rato?
- Tem!, Vai levar? - Pergunta o balconista.
- Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!

Casal abraçadinho, entrando no barzinho romântico.
A pergunta: Mesa para dois?
- Não, mesa para quatro, duas são pra colocar os pés.

O sujeito apanhando o talão de cheques e uma caneta.
- A pergunta: Vai pagar com cheque?
- Não, vou fazer um poema pra você nesta folhinha

Sujeito no elevador (no subsolo-garagem).
- A pergunta: Sobe?
- Não, esse elevador anda de lado.

Sujeito na praia, fumando um cigarro.
- A pergunta: Ora, ora! Mas você fuma?
- Não eu gosto de bronzear os pulmões também.

Sujeito voltando do píer com um balde cheio de peixes.
- A pergunta: Você pescou todos?
- Não, alguns são peixes suicidas e se atiraram no meu balde.

Homem com vara de pescar na mão, linha na água, sentado.
- A pergunta: Aqui dá peixe?
- Não, dá tatú, quatí, camundongo.... Peixe costuma dar lá no mato...

Sujeito no caixa do cinema.
- A pergunta: Quer uma entrada?
- Não, é que eu vi essa fila imensa e queria saber onde ia chegar.

O Paradigma: Tornando-me mais semelhante a Cristo

Qual é o propósito de Deus para o seu povo? Uma vez que tenhamos nos convertido, uma vez que tenhamos sido salvos e recebido vida nova em Jesus Cristo, o que vem depois? O Breve Catecismo de Westminster afirma que "o fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre". A síntese do Novo Testamento é "ama a Deus e ao teu próximo". Mas o entendimento que pacificou minha mente à medida que me aproximo do final de minha peregrinação neste mundo. Esse entendimento é: Deus quer que seu povo se torne semelhante a Cristo. A vontade de Deus para o seu povo é que sejamos conformes à imagem de Cristo.

Sendo isso verdade, quero propor o seguinte: em primeiro lugar, demonstrarmos a base bíblica do chamado para sermos conformes à imagem de Cristo; em segundo, extrairmos do Novo Testamento alguns exemplos; em terceiro, tirarmos algumas conclusões práticas a respeito. Tudo isso relacionado a nos assemelharmos a Cristo.

Então, vejamos primeiro a base bíblica do chamado para sermos semelhantes a Cristo. Essa base não se limita a uma passagem só. Seu conteúdo é substancial demais para ser encapsulado em um único texto. De fato, essa base consiste de três textos, os quais, aliás, faríamos muito bem em incorporar conjuntamente à nossa vida e visão cristã: Romanos 8:29, 2 Coríntios 3:18 e 1 João 3:2. Vamos fazer uma breve análise deles.

Romanos 8:29 diz que Deus predestinou seu povo para ser conforme à imagem do Filho, ou seja, tornar-se semelhante a Jesus. Todos sabemos que Adão, ao cair, perdeu muito - mas não tudo - da imagem divina conforme a qual fora criado. Deus, todavia, a restaurou em Cristo. Conformar-se à imagem de Deus significa tornar-se semelhante a Jesus: O propósito eterno de predestinação divina para nós é tornar-nos conformes à imagem de Cristo.

O segundo texto é 2 Coríntios 3:18: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito". Portanto é pelo próprio Espírito que habita em nós que somos transformados de glória em glória - que visão magnífica! Nesta segunda etapa do processo de conformação à imagem de Cristo, percebemos que a perspectiva muda do passado para o presente, da predestinação eterna de Deus para a transformação que ele opera em nós agora pelo Espírito Santo. O propósito eterno da predestinação divina de nos tornar como Cristo avança, tornando-se a obra histórica de Deus em nós para nos transformar, por intermédio do Espírito Santo, segundo a imagem de Jesus.

Isso nos leva ao terceiro texto: 1 João 3:2: "Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é". Não sabemos em detalhes como seremos no último dia, mas o que de fato sabemos é que seremos semelhantes a Cristo. Não precisamos saber de mais nada além disso. Contentamo-nos em conhecer a verdade maravilhosa de que estaremos com Cristo e seremos semelhantes a ele, eternamente.

Aqui há três perspectivas: passado, presente e futuro. Todas apontam na mesma direção: há o propósito eterno de Deus, pelo qual fomos predestinados; há o propósito histórico de Deus, pelo qual estamos sendo transformados pelo Espírito Santo; e há o propósito final ou escatológico de Deus, pelo qual seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Estes três propósitos - o eterno, o histórico e o escatológico - se unem e apontam para um mesmo objetivo: a conformação do homem à imagem de Cristo. Este, afirmo, é o propósito de Deus para o seu povo. E a base bíblica para nos tornarmos semelhantes a Cristo é o fato de que este é o propósito de Deus para o seu povo.

A conformação do homem à imagem de Cristo é o propósito de Deus para o seu povo. E a base bíblica para nos tornarmos semelhantes a Cristo é o fato de que este é o propósito de Deus para o seu povo.

Prosseguindo, quero ilustrar essa verdade com alguns exemplos do Novo Testamento. Em primeiro lugar, creio ser importante que nós façamos uma afirmação abrangente como a do apóstolo João em 1 João 2:6: "Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou". Em outras palavras, se nos dizemos cristãos, temos de ser semelhantes a Cristo. Este é o primeiro exemplo do Novo Testamento: temos de ser como o Cristo Encarnado.

Somos todos chamados a seguir o supremo exemplo de humildade que ele nos deu ao descer dos céus para a terra. Por isso Paulo diz em Filipenses 2:5-8: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz". Precisamos ser semelhantes a Cristo em sua Encarnação no que diz respeito à sua admirável humildade, uma humilhação auto-imposta que está por trás da Encarnação.

Em segundo lugar, precisamos ser semelhantes a Cristo em sua prontidão em servir. Agora, passemos de sua Encarnação à sua vida de serviço; de seu nascimento à sua vida; do início ao fim. Quero convidá-los a subir comigo ao cenáculo onde Jesus passou sua última noite com os discípulos, conforme vemos no evangelho de João, capítulo 13: "Tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido". Ao terminar, retomou seu lugar e disse-lhes: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo" note-se a palavra "para que, como eu vos fiz, façais vós também".

Em terceiro lugar, temos de ser semelhantes a Cristo em seu amor. Isso me lembra especificamente Efésios 5:2: "Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave". Observe que o texto se divide em duas partes. A primeira fala de andarmos em amor, um mandamento no sentido de que toda a nossa conduta seja caracterizada pelo amor, mas a segunda parte do versículo diz que ele se entregou a si mesmo por nós, descrevendo não uma ação contínua, mas um aoristo, um tempo verbal passado, fazendo uma clara alusão à cruz. Paulo está nos conclamando a sermos semelhantes a Cristo em sua morte, a amarmos com o mesmo amor que, no Calvário, altruistamente se doa.

Em quarto lugar, temos de ser semelhantes a Cristo em sua abnegação paciente. No exemplo a seguir, consideraremos não o ensino de Paulo, mas o de Pedro. Cada capítulo da primeira carta de Pedro diz algo sobre sofrermos como Cristo, pois a carta tem como pano de fundo histórico o início da perseguição. Especialmente no capítulo 2 de 1 Pedro, os escravos cristãos são instados a, se castigados injustamente, suportarem e não retribuírem o mal com o mal. E Pedro prossegue dizendo que para isto mesmo fomos chamados, pois Cristo também sofreu, deixando-nos o exemplo outra vez a mesma palavra para seguirmos os seus passos. Este chamado para sermos semelhantes a Cristo em meio ao sofrimento injusto pode perfeitamente se tornar cada vez mais significativo à medida que as perseguições se avolumam em muitas culturas do mundo atual.

No quinto e último exemplo que quero extrair do Novo Testamento, precisamos ser semelhantes a Cristo em sua missão. Tendo examinado os ensinos de Paulo e de Pedro, veremos agora os ensinos de Jesus registrados por João. Em João 17:18, Jesus, orando, diz: "Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo", referindo-se a nós. E na Comissão, em João 20:21, Jesus diz: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio". Estas palavras carregam um significado imensamente importante. Não se trata apenas da versão joanina da Grande Comissão; é também uma instrução no sentido de que a missão dos discípulos no mundo deveria ser semelhante à do próprio Cristo. Em que aspecto? Nestes textos, as palavras-chave são "envio ao mundo". Do mesmo modo como Cristo entrou em nosso mundo, nós também devemos entrar no "mundo" das outras pessoas.

Estas são as cinco principais formas de sermos conformes à imagem de Cristo: em sua encarnação, em seu serviço, em seu amor, em sua abnegação paciente e em sua missão.


Sermão pregado pelo Rev. John Stott na Convenção de Keswick em 17 de julho de 2007.

O evangelho de Jesus e o evangelho da religião

Jesus disse no sermão do monte: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir. Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus. Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da Lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.”

Ao ler este ensinamento de Jesus dentro do sermão do monte percebemos a diferença que Jesus faz entre religião e evangelho. Na época de Jesus os religiosos interpretavam erroneamente o espírito da Lei e a reduziam a mandamentos humanos e morais. Mas Jesus vem para dar a correta interpretação do espírito da Lei dentro do coração do homem, todo cumprimento da Lei através de sua vida obediente e morte vicária na cruz e ainda, vem para dar o verdadeiro ensino dos mandamentos de Deus.
Assim, podemos perceber algumas verdades sobre a diferença entre religião e evangelho de Jesus:

1. A RELIGIÃO ENSINA QUE DEVO OBEDECER A DEUS PARA MERECER A SALVAÇÃO. MAS O EVANGELHO DE JESUS ENSINA QUE SOU UM PECADOR SALVO PELA GRAÇA PARA SER VIVER EM SANTIFICAÇÃO OBEDECENDO A DEUS POR SUA GRAÇA.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2:8 e 9)

2. A RELIGIÃO ACRESCENTA MANDAMENTOS HUMANOS AOS ENSINAMENTOS DE DEUS PARA JULGAR, CONDENAR E DESTRUIR. MAS O EVANGELHO DE JESUS É A PALAVRA VIVA DE DEUS PARA A SALVAÇÃO DE TODOS OS QUE SE APROXIMAM DE JESUS.

“...Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los.” (Mt 23:3, 4)

Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu julgo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu julgo é suave e o meu fardo é leve. (Mt 11:28-30)

Paulo disse que o evangelho “ é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...”

3. A RELIGIÃO DESTRÓI A VIDA PARA PRIORIZAR A OBEDIÊNCIA AO MANDAMENTO HUMANO. MAS O EVANGELHO DE JESUS PRODUZ VIDA COMO OBEDIÊNCIA A PALAVRA DE DEUS.
“Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu teve piedade dele...Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito na lei. Jesus lhe disse: ‘Vá e faça o mesmo’. (Lc 10:31,32, 33, 36, 37)

“Naquela ocasião Jesus passou pelas lavouras de cereal no sábado. Seus discípulos estavam com fome e começaram a colher espigas para comê-las. Os fariseus, vendo aquilo, lhe disseram: ‘Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido no sábado”.

Ele respondeu: ’Vocês não leram o que fez Davi quando ele e seus companheiros estavam com fome? Ele entrou na casa de Deus e junto com os seus companheiros, comeu os pães da Presença, o que não lhes era permitido fazer, mas apenas aos sacerdotes. Ou vocês não leram na Lei que, no sábado, os sacerdotes no templo profanam esse dia e, contudo, ficam sem culpa? Eu lhes digo que aqui está o que é maior do que o templo. Se vocês soubessem o que significam estas palavras: ’Desejo misericórdia, não sacrifícios’, não teriam condenado inocentes. Pois o Filho do homem é Senhor do sábado”.

Saindo daquele lugar, dirigiu-se à sinagoga deles, e estava ali um homem com uma das mãos atrofiada. Procurando um motivo para acusar Jesus, eles lhe perguntaram: ‘É permitido curar no sábado’?

Ele lhes respondeu: ‘Qual de vocês, se tiver uma ovelha e ela cair num buraco no sábado, não irá pega-la e tira-la de lá? Quando mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é permitido fazer o bem no sábado’.

Então ele disse ao homem: ‘Estenda a mão’. Ele a estendeu, e ela foi restaurada, e ficou boa como a outra.” (Mt12:1-14)

4. A RELIGIÃO DIMINUI OS MANDAMENTOS DE DEUS A REPUTAÇÃO EXTERIOR. MAS O EVANGELHO DE JESUS DESNUDA O CORAÇÃO PECADOR DO HOMEM PARA TRANSFORMÁ-LO DE DENTRO PARA FORA.
“Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens... Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados; bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês; por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade”. (Mt 23:27 e 28)

“E continuou: ‘O que sai do homem é que o torna impuro. Pois do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro’”. (Mc 7:20-23)

5. A RELIGIÃO ENSINA A OBEDIÊNCIA MOTIVADA POR MEDO, CULPA, CASTIGO E PRÊMIO. MAS O EVANGELHO DE JESUS ENSINA A OBEDIÊNCIA MOTIVADA PELO AMOR LIVRE E INCONDICIONAL.

“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos...Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele...Vocês serão meus amigos, se fizerem o que lhes ordeno.” (Jo 14:15, 21 e 15:14)


Em Cristo, o evangelho da graça

Jairo Filho

Discernindo a Idolatria

INTRODUÇÃO

Os dois primeiros mandamentos do Senhor Deus nos ensinam: “Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, sou teu Deus...” (Ex 20:3-5). Jesus Cristo aplica esses mandamentos - quando foi tentado pelo Diabo a adorá-lo em troca dos reinos desse mundo sem o sacrifício da cruz - quando diz: “Retire-se, Satanás! Pois está escrito: Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto”. (Mt 4:10). Em outra ocasião, Jesus resume a lei e os escritos dos profetas em: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento”. (Mt 22:37). Percebemos que Jesus cumpre toda a lei em adorar a Deus em toda sua vida como o único, exclusivo, suficiente e verdadeiro Deus. Partindo do exemplo de Jesus, devemos discernir as mais diversas e sutis expressões de nossa idolatria.

A etimologia da palavra Idolatria tem origem nas palavras: Eidolon (imagem) + latreia (culto) = Culto à imagem. Quando sabemos disso, geralmente, nos vem à mente a imagem de homens primatas selvagens rastejando em volta de um poste-ídolo, estátuas com faces cruéis, danças religiosas com sacerdotes fazendo sacrifícios de animais, romarias em busca de padroeiros, gente subindo e descendo escadas para pagar promessas e etc. Mas creio ser necessário ir mais fundo nessa questão para discernir as sutis expressões de idolatria em nosso meio, porque percebo que a cultura popular evangélica tem muita idolatria impregnada em sua religiosidade.

Para começo de conversa, levanto a tese de que idolatria é tudo que substitui o lugar de Deus no coração. Ídolo é tudo aquilo que nega o senhorio de Cristo em nossa vida.

Aprofundando e definindo esse tema, vejamos as mais sutis expressões de idolatria:

1. IDOLATRIA É REDUZIR DEUS A SER O MAIOR DE TODOS OS DEUSES. O primeiro mandamento, “não terás outros deuses além de mim” (Ex 20:3), é uma afirmação de que não existem outros deuses. Na verdade, os outros deuses são fabricação da mente humana, isto é, ídolos. Toda vez que Deus é comparado com “outros deuses”, mesmo para que seja destacado como o maior e melhor, ele foi reduzido à categoria de ídolo. Na verdade, temos que saber que Deus é único. Não há outro deus além do único, verdadeiro, suficiente Deus de Jesus Cristo. E isto basta. Pois, “a vida eterna é esta: que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste”. (Jo 17:3).

2. IDOLATRIA É REDUZIR DEUS A MATÉRIA. Quando Deus é confinado aos limites de imagens, locais, pessoas, rituais, símbolos, seres ou qualquer medida estamos desonrando Deus, obscurecendo sua glória de nós. E, além disso, qualquer imagem material de Deus é enganosa, pois projeta falsas idéias a respeito do caráter de Deus. Não podemos esquecer que Deus é Espírito Eterno (Jo 4: 24, Jó 36:26, Sl 90:2, Ap 1:8). Assim, nossa adoração a Deus acontece verdadeiramente em espírito; pois, Deus não tem tamanho ou dimensão espacial, e está presente em cada ponto do espaço com a plenitude do seu ser. “Deus não habita em santuários feitos por mãos humanas...não devemos pensar que Deus é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e imaginação do homem” (Atos 17:24 e 29).

3. IDOLATRIA É REDUZIR DEUS A SEMELHANÇAS HUMANAS. Deus tanto nos proíbe moldar imagens de esculturas concretas de Deus, como também nos proíbe criar mentalmente imagens de Deus. Quando relaciono Deus a um papai noel (presenteia quem merece), a uma noiva interesseira (ama para ter dinheiro), a um ditador político (quer dominar o mundo a força), a um garçom (é pago para nos servir), a um bote salva vida (existe, mas esperamos nunca ter que usa-lo. E só usamos quando estamos correndo perigo), a um pai (pode ser semelhante a muitos que conhecemos: tirano, castigador, carrasco, mimado, imbecil, domável, ausente, falso etc), aos mais diversos tipos de pessoas (justa, santa, piedosa, milagreiro, sacerdote, intercessor). Diante disso, não podemos esquecer que Deus é amor. E o amor de Deus é revelado pela pessoa de Cristo e em sua obra na cruz. Nada além de Cristo pode ser comparado exatamente à semelhança das criaturas humanas. A única expressão exata de Deus é Jesus, pois é “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15) e o Verbo – que é Deus – “tornou-se carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do pai, cheio de graça e verdade”. (Jo 1:14). Deus é Jesus.

4. IDOLATRIA É REDUZIR DEUS APENAS UM GRANDE PODER IMPESSOAL. Esse tipo de idolatria acontece quando o relacionamento com Deus é reduzido a experimentar o poder de Deus sem consultar sua vontade sobre nossas vidas. Isso é atribuir a Deus um poder neutro, e, portanto, despersonalizá-lo. Gedeon Alencar, fazendo uma analogia entre a ética neopentecostal e a candomblecista, explica e denuncia que a fé dessas religiões é usada como instrumentalização e manipulação do poder divino. Tanto um pastor como um pai de santo podem, muitas vezes, “amarrar” uma união amorosa, bem como desfazê-la, sem fazer juízo moral. Eles são pagos por seus serviços sem consultar a vontade moral de suas divindades. Isso é muito evidente no conceito de oração dos atuais evangélicos. A oração é uma busca pelo poder divino que é solicitado a ser usado independentemente da vontade de Deus. Mas, diante disso, a Bíblia nos ensina que Deus é pessoalmente santo e tem sua santa vontade absoluta estabelecida em sua Palavra. Um exemplo: Um dos ladrões ao lado da cruz de Cristo queria a salvação sem o salvador quando insultava a Jesus, dizendo: “Você não é o Cristo? Salve-se a si mesmo e a nós!” (Lc 23:39). Enfim, este queria a salvação de Jesus, mas não o Salvador e Senhor Jesus. Em resumo, idolatria é somente buscar os milagres, benção e poder de Deus sem o Deus dos milagres, benção e poder. É adorar o poder divorciado da pessoa de Deus.

5. IDOLATRIA É REDUZIR DEUS A NEGOCIADOR. Quando o relacionamento com Deus é baseado em mérito e demérito de causa e efeito numa relação de barganha, troca e contrato; criamos um deus que assina um contrato-utilitarista, onde o fator determinante desse contrato passa a ser mais a força humana do que a de Deus. Assim, Deus apenas reage às atitudes humanas, podendo ser (a) manipulado pela fé humana, (b) ser culpado de não cumprir seu papel no contrato inventado pelo homem e (c) ser obrigado a compartilhar sua glória com os méritos humanos. Mas a Palavra de Deus nos ensina que Deus é soberano e cheio de graça e misericórdia. Suas atitudes de graça para com o ser humano não obedecem às atitudes de causa e efeito. Deus “não nos trata conforme as nossas iniqüidades...pois sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó.” (Sl 103: 10 e 14). O Deus apresentado por Jesus é o Deus que ama aqueles que não merecem para levar ao colapso a justiça retribuitiva provocada pela lei de causa e efeito da religiosidade.

6. IDOLATRIA É REDUZIR DEUS A UM DISCUSSO RELIGIOSO. Quando Deus é transformado em objeto de discussão filosófica e teológica, para ser fazer uma anatomia divina, a fim de determinar como Deus funciona através do raciocínio humano. Assim, Deus passa a ser criação da mente humana, em detrimento de devoção, rendição, amor, submissão, mistério, encantamento diante da pessoa de Deus. Aquele que se aproxima de Deus para conhecê-lo e fazê-lo conhecido deve saber que Deus é indiscutível. Deus não cabe na mente humana. Pois, “quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?” (Rm 11:33-36). Enfim, Deus não cabe nos compêndios teológicos. Se couber, ele não passa de um ídolo da teologia.

7. IDOLATRIA É A “EGOLATRIA” – Quando adoro a mim mesmo, numa devoção narcisista cheia de justiça própria. Jesus condena a justiça dos fariseus hipócritas que doavam esmolas, oravam e jejuavam “... a fim de serem honrados/vistos pelos outros...” (Mt 6:3) e “...orava de si para si mesmo...” (Lc 18:11). Assim, “o destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre...” (Fp 3:19). Idolatria é quando a mais íntima motivação e intenção do coração - daquele que deseja ser santo - se mascara de purpurina e néon em busca dos holofotes, palcos e aplauso da mídia religiosa. Agora, pare e pense: Você seria capaz de obedecer a Deus quando ninguém está olhando ou quando não há nenhuma recompensa?

8. IDOLATRIA É CULTUAR PESSOAS. Quando o ser humano é um ídolo em nossa vida. Ex: família, amigos, líderes espirituais, ricos e famosos, professores, mestres e gurus, namorado(a), igreja, comunidade, país etc. Certa vez, Paulo e Barnabé curaram um paralítico em Listra. Quando a multidão viu o milagre, começaram a adorá-los. Mas a resposta pronta deles foi: “Nós também somos humanos como vocês....afastem-se dessas coisas vãs e voltem-se para o Deus vivo...” (Atos 14:13 e 15).

9. IDOLATRIA É “MONEYLATRIA”. Quando eu amo os meus bens e quando o dinheiro é meu patrão. Sinal de que idolatro meu dinheiro é: (a) Quando sou consumista desenfreado. (b) Quando sou pão duro e não consigo ter despreendimento de posses nem consigo compartilhar e dividir o que tenho com o próximo. (c) Quando vivo correndo atrás de mais dinheiro por estar insatisfeito e descontente com o que tenho. (d) Quando transformo Deus em instrumento, ferramenta e meio para se ganhar mais dinheiro. (e) Quando o sentido da minha vida é ser rico e milionário. Jesus considera o dinheiro uma potestade quando diz: “Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará o seu coração...Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.” (Mt 6:21 e 24). “Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos.” (ITm 6:10). Uma vez que a avareza é idolatria (Cl 3:5).


10. IDOLATRIA É TRANSFORMAR A BENÇÃO DE DEUS EM ÍDOLO. Todas as imagens que nos apegamos - porque nos dá proteção, significado e realização sem ser Deus – transformam-se em ídolos. Esses pequenos ídolos atuam com enorme poder sobre a vida humana. Muitos desses ídolos podem ser nosso status, segurança, emprego, família, amigos, sonhos, ideais, instituição, religião, dinheiro, sexo, poder. Ricardo Barbosa de Souza nos alerta: “Para muitos cristãos, o centro em torno do qual giram suas vidas não é Deus e a vontade divina, mas é seu trabalho, posição social, família, estabilidade econômica, realização profissional, etc. Quando uma ou mais destas coisas são abaladas, ou mesmo arrancadas de nós, seja a estabilidade econômica ou familiar frequentemente perguntamos: Onde está Deus? Como se Deus tivesse ido embora quando se perdem bens de grande valor. A estabilidade, os bens ou mesmo a profissão transforma-se facilmente em nossos ídolos, e Deus não passa de uma força que ora na preservação daquilo que de fato não sustenta nossa crença”.


CONCLUSÃO:
Cuidado com o veneno sutil da idolatria. Não transforme Deus num deus. Não seja um deus de si mesmo. Não adore nada nem ninguém.
A única forma de vencer a tentação da idolatria é conhecer cada vez mais a Deus e se satisfazer nele. Assim, ore: “Fizeste-nos para ti, ó Deus, e nossa alma não repousará tranqüila enquanto não repousar em ti.” (Agostinho de Hipona)


Em Cristo, nosso único e verdadeiro Deus.

Jairo Filho

Liderança não é coisa pra criança

1. O LÍDER é sempre o primeiro a pisar o território inimigo, e o último a deixar o campo de batalhas.


2. O LÍDER não deve deixar os feridos pelo meio do caminho, mas cuidar-lhe dos ferimentos, mesmo que isso pareça comprometer o avançar da batalha.


3. O LÍDER é líder de gente, não de coisas. Ele constrói relacionamentos, não prédios, ele fica no meio do povo, não atrás da mesa. Ele é uma pessoa e não um robô. Ele é um santo, não um anjo.


4. O LÍDER se preocupa em atacar o inimigo, e não ao outro. Pois, na guerra espiritual na qual está envolvido, ele bem sabe que seu adversário não é de carne e osso, e por isso, não aponta suas armas contra si mesmo.


5. O LÍDER não pode exigir o que não consegue ser ou fazer. Não deve impor sobre os ombros dos outros os fardos que ele mesmo não consegue carregar.


6. O LÍDER não pode aproveitar-se de sua posição para massacrar mentalidades mais fracas, para “entrar rasgando”, para estuprar a alma carente de tão perdida e já invadida pela vida ímpia.


7. O LÍDER só pode indicar o caminho a seguir. Ele não pode decidir pelo outro. Ele toma pequeninos pela mão, mas não os empurra e nem força ninguém a fazer escolhas. Ele deixa as pessoas crescerem.


8. O LÍDER não convence na marra, não usa de ameaças e persuasão, não intimida criancinhas, não é um tirano. O LÍDER é capaz de ser doce, sem ser permissivo! Não é um vovô bonachão que fica distribuindo pirulitos, mas também não é um pai tão severo quanto ausente.


9. O LÍDER não fica procurando em quem bater: não sai metendo o pé em barracas, caçando orelhas para puxar, gente para envergonhar, para expor, punir, apontar o dedo. Ele não “chuta o balde”, a não ser com os cínicos, com os que vendem religião, com os que comercializam a fé, com os desconvertidos mal-intencionados.


10. O LÍDER considera o outro superior a si mesmo, ele valoriza o “insignificante”, ele honra os anônimos, ele ama os fracos, e se esforça por não escandalizá-los. Ele se faz um igual.


11. O LÍDER é mais que um diácono, mais que um ancião, ministro ou presbítero, é mais que um auto-denominado bispo ou apóstolo. Ele é um filho amado do Pai, irmão de seus irmãos, que os serve com seus dons. Serve sem procurar ser servido.


12. O LÍDER tem convicções, mas isso não significa que não possa mudar, abrir mão, repensar. O LÍDER NÃO É INFALÍVEL! Ele não tem sempre os melhores planos e conselhos (para muitos, idéias são como crianças: As nossas são sempre melhores).


13. O LÍDER pode rever seus conceitos, admitir falhas sem ter vergonha. Ele aprende com o passado, sem ficar nele. Ele olha para o futuro, mas não vive nas nuvens das ilusões infantilizadas.


14. O LÍDER deixa os outros terem idéias também, ele não é a origem de tudo, a fonte de tudo, não possui inspiração exclusiva, discernimento permanente.


15. O LÍDER, quando fala, fala a verdade. Ele é transparente, autêntico. E quando a verdade doí, ele a fala com dor. Como quem não quisesse falar, confrontar. Ele precisa expor a verdade, mas ele não faz isso pra rachar, pra quebrar de vez.


16. O LÍDER não fica cavando pecados alheios para se divertir com eles. Ele olha primeiro para dentro de si, e sonda diariamente seu coração de crente.


17. O LÍDER não pode apedrejar ninguém, salvo exceção: os líderes que não tem pecado! Esses podem castigar, “depenar” e escarniçar os pecadores.


18. O LÍDER não pode ficar preocupado com sua reputação. Ele precisa encarar com naturalidade ser alvo de críticas e pré-julgamentos. Ele precisa saber acolher, abraçar e beijar até os que, ocultamente, não retém suas línguas afiadas.


19. O LÍDER, porém, também não é escravo de seu comportamento. Ele não é um ator. O LÍDER não precisa fazer caras e bocas. Precisa ter uma só face, sem mascaramentos. Não deve ser ora sim, ora não, de acordo com a conveniência.


20. O LÍDER não precisa ter voz de líder, roupa de líder, postura de líder, olhar de líder. O LÍDER precisa ter coração de servo, vestes brancas, joelhos flexionados e olhos de compaixão.


21. O LÍDER não precisa gritar por respeito, testar a obediência, verificar o alcance de sua autoridade. Ele não precisa apresentar títulos, ostentar currículo, berrar sua posição.


22. O LÍDER não pode “chorar suas pitangas” pelos corredores, não pode se “empanelar”, fazer bico, montar fã-clube, ser parcial, tendencioso, político.


23. O LÍDER abre mão de seus direitos, raramente se defende. Ele defende sua Causa: o Reino! Ele não se glorifica. Ele glorifica seu Rei: Jesus!



24. O LÍDER não é auto-suficiente. Não é LÍDER de si mesmo. Professor de si mesmo. Pastor de si mesmo. Fã de si mesmo! Seu lema é DEPENDÊNCIA OU MORTE!


25. O LÍDER não é um super-heroí. Ele também chora, também cansa, também tem mau-humor, dias difíceis de tristeza e solidão. Ele também precisa de ombro do irmão e do colo do Pai.


26. O LÍDER precisa aprender a descansar, a parar, dar um tempo, refletir, sossegar o coração cansado, estar à sombra, retirar-se, reciclar-se, recostar-se aos pés de Mestre.


27. O LÍDER precisa saber frear-se, conter impulsões, controlar a vontade de tanto falar e pouco ouvir, a ânsia por dominar, argumentar, concluir, finalizar... colocar pontos finais. Precisa deixar uma margem de espaço para o outro caminhar sem opressão.


28. O LÍDER não ama e nem é amado por causa de seu desempenho. Ele não é um ativista, não deve se preocupar em agradar a todos, mas sempre a Deus.


29. O LÍDER busca ser fiel e não bem-sucedido. Ele sabe que obedecer é melhor que sacrificar. Líderes que não obedecem a Deus não podem ser obedecidos.


30. O LÍDER sabe que essa peleja não é café-com-leite, que a guerra (War) não é um jogo. A caminhada cristã não é de mentirinha. Sabe que a Igreja não é um tabuleiro, e as vidas não são peças de um game de estratégia.

Marcelo Quintela - Fonte: www.caiofabio.com

A simplicidade profunda e esmagadora de Jesus

A cada dia mais me impressiona a simplicidade de Jesus em relação a tudo.

Ele negou-se a tratar de quase tudo o que a filosofia e a teologia tratam com avidez.

A origem do mal Ele simplesmente desprezou em qualquer que seja a explicação “metafísica”. Simplesmente disse que o mal existe. E o tratou com realidade óbvia.

O problema da dor foi por Ele tratado com as mãos, não com palavras e discursos.

As desigualdades sociais foram todas reconhecidas, mas não se o vê armando qualquer ação popular contra elas.

Seus protestos eram todos ligados à perversão do coração, mas nunca se tornavam projeto político, ou passeatas, ou bandeiras.

A “queda” não é objeto de nenhuma especulação da parte Dele. Bastava a todos ver as conseqüências dela.

Sobre a morte sua resposta foi a paz e a vida eterna.

Jamais tentou justificar o Pai de nada. Apenas disse que Ele é bom e justo.

Mandou lutar contra os poderes da hipocrisia e do desamor, mas não deu nenhuma garantia de que se os venceria na Terra.

Sua grande resposta à catástrofe humana foi a promessa de Sua vinda, e nada mais.

Nunca pediu que se estabelecesse o Reino de Deus fora do homem, mas sempre dentro dele; pois, fora, o reino, por hora, era do príncipe deste mundo.

Não buscou ninguém com poder a fim de ajudar qualquer coisa em Sua missão.

Adulto, foi ao templo apenas para pregar aquilo que acabaria com o significado do templo como lugar de culto.

Fez da vida o sagrado, e de todo homem um altar no qual Deus é servido em amor.

Chamou o dinheiro de “deus”, mas se serviu dele como simples meio.

Pagou impostos; mas nunca cobrou nada de ninguém, exceto amor ao próximo.

A morte para Ele não era mesma coisa que é para nós. Morrer não era mal. Viver mal é que era mau.

Em Seus ensinos Ele sempre parte do que existe como realidade e nega-se fazer qualquer viagem para aquém do dia de hoje.

Para Ele o mundo se explicava pelas ações dos homens, e prescindia de analises; pois, tudo era mais que óbvio.

Não teologizou sobre nada. E todas as Suas respostas aos escribas e teólogos eram feitas de questões sobre a vida e seu significado agora; e sempre relacionado ao que se tem que ser e fazer.

Quando indagado de onde vinha o “joio”, Ele simplesmente diz: “Um inimigo fez isso...” — referindo-se ao diabo.

Prega a Palavra, e não tenta controla-la.

Vê pessoas crerem, mas não tem nenhuma fixação em fazê-las suas seguidoras físicas e geográficas.

Não tem pressa, embora saiba que o mundo precisa conhecer Sua Palavra.

Cita as Escrituras sem nenhuma preocupação com autores, contextos ou momentos históricos.

Arranca certezas da Palavra baseadas em um verbo “ser” — aludindo ao fato de Deus ser Deus de vivos e não de mortos, pois, “para ele todos vivem”.

Ensina que a morte é o fundamento da vida, e tira dela o poder de matar, dando a ela a força das sementes que ao morrerem dão muito fruto.

E assim Ele vai...

E assim Nele é!

Nele, para Quem a filosofia é a vida em amor,


Caio

07/03/03

Lago Norte

Brasília

Fonte: www.caiofabio.com

Quem é meu próximo?



E perguntaram a Jesus: "Quem é o meu próximo?" E ele lhes contou a seguinte parábola:

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, UM GARÇOM que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: "Vá passando a carteira". O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.

Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um PADRE no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: "Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você." Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: "Ego te absolvo..." Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um PASTOR evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: "Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!" O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, "aleluia!" e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.

Uma hora depois passava por aquela rua um LÍDER ESPÍRITA que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: "Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir." Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.

O sol já ia alto quanto por ali passou um TRAVESTI, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.

Terminada a estória, JESUS se voltou para seus ouvintes. Alguns já o olhavam com ódio. Jesus, porém, os olhou com profundo amor e lhes perguntou: "Quem foi o próximo do homem ferido?"

Escrito por Rúbem Alves

Premonição

Um homem vai ao quarto de seu filho para dar-lhe boa noite. O garoto está tendo um pesadelo. O pai o acorda e pergunta-lhe se ele está bem. O filho responde que está com medo porque sonhou que a tia Suzana havia morrido. O pai garante que tia Suzana está muito bem e manda-o de novo para a cama. No dia seguinte a tia Suzana morre.

Uma semana depois, o homem volta ao quarto de seu filho para dar-lhe boa noite. O garoto está tendo outro pesadelo, e desta vez diz que sonhou que a avô havia morrido. No dia seguinte o vovô morre.

Uma semana depois, o homem vai de novo ao quarto de seu filho para dar-lhe boa noite. O garoto está tendo outro pesadelo. Desta vez o filho responde que sonhou que o papai havia morrido... O pai garante que está muito bem e manda-o de novo para a cama.

No dia seguinte ele está apavorado. Tem certeza de que vai morrer. Sai para o trabalho e dirige com o maior cuidado para evitar uma colisão. Não almoça com medo de veneno; evita as pessoas, com medo de ser assassinado, tem um sobressalto a cada rua...

Ao voltar para casa, ele encontra sua esposa e diz:

- Meu Deus... Tive o pior dia de minha vida!

E ela responde, toda chorosa:

- Você acha que o seu foi pior... Meu chefe, morreu hoje de manhã assim que chegou ao escritório...

Observações sobre a unção do leão

Veja o vídeo da unção do leão no youtube: http://br.youtube.com/watch?v=J3leVA6j2P0

Agora leia o diário da Ana Paula Valadão sobre o Show do Diante do Trono em Anápolis-GO, ocasião da unção do leão. 10º Dia - 26 de maio - O Cordeiro e o Leão Blog do Diante do Trono: http://www.diantedotrono.com.br/blogrio/index.htm)

Agora, escrevo algumas observações sobre a unção do leão:

1. Não há registro bíblico nos ensinando que o Espírito Santo é o costureiro, o design de moda e o camareiro do crente. Pelo contrário, Paulo nos ensina que nossa roupa é uma armadura espiritual composta pela verdade, justiça, evangelho da paz, fé, salvação, Palavra de Deus (Ef 6:10-20). E, além disso, Paulo ainda ensina que o que deve ornar as mulheres adoradoras são suas boas obras (I Tm 2:9), que é fruto de um coração manso e moderado (I Pe 3:5).

2. Não há nenhum registro bíblico nos ensinando que a expressão maior de um crente cheio do Espírito é pular, levantar as pernas, ter alucinações, ter um “click” para ficar de quatro e imitar animais etc.

3. Não há registro bíblico nos ensinando que devemos obedecer às ordens proféticas de revelação e visão de um discípulo que diz está vendo um leão a fim de receber a unção do leão. Em nossa Confissão de Fé (Cap 1) encontramos a seguinte seção:

“VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas. Como referências: II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.”

4. Não há registro bíblico nos ensinando que alguém cheio da unção de Deus e da manifestação do Espírito fica inconsciente, insano e em transe. Neste episódio, houve transe para tudo: para virar Leão porque alguém disse, para andar de quatro e para receber direção de palco do próprio Leão. Mas não houve transe para se preocupar com a própria reputação: “É… agora a minha reputação acabou. Agora vou ver quem vai ficar comigo”?, Isso indica que esta preocupação já expressa o reconhecimento de insanidade desse ato. Nesse momento de preocupação com a reputação percebe-se que não houve um transe ou houve um falso transe. Mas esse tal de transe volta quando a a valadão diz que “Quando parei, não sabia como ou que fazer ao me levantar. Ainda no chão, me ergui de meio corpo e gritei: “Um brado de vitória ao Senhor”, (sem saber se alguém responderia), e o som foi poderoso.” Em I Coríntios 14 Paulo nos ensina que o culto deve ser mantido sob controle racional (14.15,32), para que não haja confusão (14.33) e para que tudo seja feito com “decência e ordem” (14.40).

5. Não há registro bíblico nos ensinando que um culto espiritual acontece sempre debaixo dos aplausos do público e das luzes da mídia. Será que essas unções de leão acontecem nos ensaios, no pequeno grupo ou sozinho no quarto? Se acontecer, é pura ignorância, engano e desconhecimento da verdade do evangelho. Mas essa “unção” aconteceu no palco, num show, debaixo dos olhares da mídia, incentivado pelos gritos e aplausos do público, e com a preocupação com a reputação. A reputação espiritual foi o objeto de adoração.

6. Não há registro bíblico nos ensinando que um crente cheio do Espírito num culto espiritual deve viver em transe, alienado e arrebatado na “espiritosfera”. Por que não viver o evangelho puro e simples de Jesus com sobriedade, fazendo um culto racional, fruto de uma mente renovada (Rm 12:1), cheio do espírito, orando com o espírito, mas com o entendimento, cantando com o espírito, mas cantando com o entendimento (I Co 14:15)?

Pense nisso! E tenha discernimento bíblico em oração.

Jairo Filho - Escrito em 17/08/2007

O que é oração

“A oração cristã é orar ao Pai, através do filho, mediante o Espírito Santo”. James Houston

ORAÇÃO É AMIZADE. Orar é uma resposta para o amor e a amizade de Deus. “Oração é a nossa resposta à proposta e chamado de Deus. A primeira palavra é sempre de Deus; a nós nos cabe a segunda, a reposta.” (Ricardo Barbosa– O Caminho do Coração – pág 117). Porque Deus toma a iniciativa de reconciliar consigo mesmo o mundo através de Cristo como prova de seu grande amor e justiça. Isso quer dizer que Deus nos transforma de inimigos em seus amigos. Assim, a oração é possível porque Deus toma a iniciativa de falar conosco primeiro e nós lhe respondemos em oração.

ORAÇÃO É CONHECIMENTO. Oração é um encontro de uma amizade pessoal e íntima com Deus. Nestes encontros de uma convivência amiga de oração, aprendemos a nos conhecer quando conhecemos mais a Deus. Assim, somos transformados a medida em que este encontro intensifica-se.

ORAÇÃO É TRANSFORMAÇÃO DO SER. Sóren Kierkegaard disse: “A oração não transforma a Deus, mas transforma aquele que ora”. Não oro todos os dias para mudar a Deus, a fim de que ele sempre atenda meus pedidos e realize meus desejos. Mas oro a Deus para mudar meu caráter, meu coração, meus desejos, vontades, intenções, motivações, pensamentos, atitudes, vocabulário e meu espírito diante da vida. Assim, orar é dizer “seja feita a tua vontade”, a fim de que, em nosso companheirismo com Deus, como pessoas que oram, realmente comecemos a tornar-nos diferentes. Somente assim, nosso ser inteiro começa a ser transformado pela vida e pelo espírito da oração.


ORAÇÃO É ADORAR AO PAI EM ESPÍRITO E EM VERDADE. Orar é entender que Deus é Pai que procura para si “verdadeiros adoradores que adoram ao Pai em espírito e em verdade”. Deus procura adoradores que oram, não apenas motivados por receber exclusivamente dádivas de Deus, nem para sentir o poder carismático de Deus, mas Deus procura filhos adoradores que oram por causa de seu amor e do desejo de ter um relacionamento íntimo e pessoal de amor com Deus pai.

ORAÇÃO É UM RELACIONAMENTO DE AMOR COM DEUS. A oração tem mais haver com o amor do que o poder de Deus. Porque até mesmo o inferno pode imitar o poder de Deus, mas é incapaz de um mínimo gesto de amor como o de Deus. Assim, no silêncio e na solitude do quarto, Deus não é apresentado como um general, o Todo-Poderoso, o Juiz, o Altíssimo, que está lá longe no alto e sublime trono nos céus e faz apresentações espetaculares de poder, milagres e maravilhas a fim de nos convencer de que é Deus, mas Jesus nos apresenta Deus como o Pai amoroso que sente prazer de está com seus filhos. A oração em secreto a Deus Pai, é o pronunciar singelo do “Aba”, o balbuciar da criança que descansa em absoluta confiança no colo do Pai.

ORAÇÃO É DESFRUTAR DA PRESENÇA DE DEUS ALÉM DAS PALAVRAS VERBALIZADAS. É viver conectado em Deus 24 horas por dias, onde o diálogo - ouvir e falar de ambas as partes – é uma rotina de uma convivência amiga e prazerosa. Assim, a oração deixar de ser exclusivamente um monólogo e passa também a ser uma disposição do coração de estar em silêncio para ouvir Deus. “A oração é muito mais uma atitude de entrega, rendição e disponibilidade do que um monólogo piedoso diante de Deus”. Ed René Kivitz.


Em Cristo, que nos ensinou a orar orando

Jairo Filho

O que não é oração

ORAR NÃO É UMA RELAÇÃO UTILITÁRIA NEM FUNCIONAL – ou seja, Deus só serve quando é útil, ou, Deus é conhecido e procurado exclusivamente por exercer uma função de realizador de meus desejos. Ex: Às vezes, nossas orações transformam Deus num eletrodoméstico usado para resolver nossos problemas ou para fazer mais rápido aquilo que não consigo fazer. E quando esse eletrodoméstico não funciona, descartamos e jogamos no lixo. Assim, conhecemos Deus apenas pelo que ele faz. E quando ele não funciona como nós desejamos, descartamos Deus de nossas vidas.

ORAR NÃO É UM INSTRUMENTO usado para transformar a realidade da minha vida, a fim de extrair o máximo do poder de Deus, nem é um meio ou recurso para mover a mão de Deus ou colocá-lo em movimento, como se Deus fosse um preguiçoso irresponsável, indolente e emburrado, sentado sobre um trono de má-vontade. Jesus disse: “Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando”. (Jo 5:17).

ORAR NÃO É UM MEIO DE CONSUMO onde transforma a fé daquele que ora em moeda de troca e compra. Não podemos resumir a oração num negócio, barganha ou troca. Às vezes, nossas orações são transformadas em comércio, onde aquele que ora é o consumidor compulsivo e Deus é transformado em vendedor carente que vende favores em troca de amor. Ou, quando oramos, somos como aquela mulher de 20 anos que casa com um bilionário de 95 anos com a intenção exclusiva de herdar toda a sua fortuna. Ou ainda, antes muitas criança oravam para ganhar de presente uma bola, hoje, toda criança ora desejando um computador. Infelizmente, o conteúdo de nossas orações é determinado pela tecnologia do mundo consumista e capitalista.


ORAR NÃO É UMA FERRAMENTA DE MANIPULAÇÃO DIVINA. A oração não pode ser definida numa relação de manipulação da vontade de Deus ao meu favor, como se Deus fosse convencido a mudar de idéia e atitude para conosco, quando é iludido pelos nossos mais inteligentes argumentos de persuasão. Isso significa que orar não é um amontoado de palavras decoradas, repetitivas e vazias ditas com a intenção de convencer Deus a responder a petição do fiel.

ORAR NÃO É UM RITUAL RELIGIOSO verbalizado com palavras decoradas resumidas num monólogo inerte e vazio que mascara a sinceridade do coração. Porque orar não é um evento nem uma realização que tem um intervalo de tempo com início, meio e fim e nos induz a definir uma dicotomia em nossa agenda – onde oração é hora sagrada e não orar é uma hora de pecado mundano e secular. Por isso, orar não é um costume religioso tradicional feito por hábito para manter o costume. A oração que é oferecida “porque eu sempre orei assim desse jeito como sempre me ensinaram” imuniza-nos contra a verdadeira oração, impedindo-nos de encontrar um relacionamento vivo com Deus. O hábito e o costume de orar quando se tornam impensados e automáticos, podem exercer um efeito destrutivo em nosso relacionamento amoroso com Deus. Jesus falou sobre o perigo de “amontoar palavras vazias”, na tentativa de impressionar a Deus em oração. Dizer orações decoradas, sem reflexão séria ou sem intuito pessoal, faz correr o risco de tornarem-se as “vãs repetições”, que Jesus tão severamente criticou. Dá-se esse caso, sobretudo, quando se recita a oração “Pai Nosso”, tão repetida. Ironicamente, foi quando Jesus ensinou essa oração aos Seus discípulos que Ele os advertiu sobre os perigos das orações automáticas e desmentalizadas. O profeta Isaías, falando em favor de Deus, expressou isso perfeitamente quando disse: “Visto que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim...” (Isaías 29:13).

ORAR NÃO É NOTICIÁRIO. Orar não é informar Deus os fatos de nossas vidas, como se nossa oração fosse um noticiário e Deus fosse um ouvinte desinformado que ignorasse os fatos de nossa vida, ignorasse quem somos e aquilo que estamos fazendo, pensando e sentindo.

ORAR NÃO É UMA CHANTAGEM EMOCIONAL para extrair o poder de Deus de realizar nossos desejos, como se Deus fosse tão carente e inseguro que precisasse de nossas orações para sobreviver. Isto significa que a oração não é um jeito de ameaçar Deus de abandono e solidão caso Ele não atenda nossos pedidos.

ORAR NÃO É FAZER GUERRA COM DEUS NEM CONTRA O PRÓXIMO. A oração não deve ser feita como uma arma de guerra jurídica para exigir de Deus que ele devolva o que é meu por direito, como se fossemos dono de nossas próprias vidas e Deus não passasse de um ladrão mesquinho e egoísta que roubou nossos bens. A oração também não deve ser feita como arma de guerra contra o próximo quando usamos a oração como uma “boacumba evangélica” que joga praga para os nossos piores inimigos na encruzilhada dos conflitos.

ORAR NÃO É USAR MÁSCARA DE SUPER ESPIRITUAL. A oração não deve ser transformada num termômetro espiritual que cria comparação e abre as portas do nosso coração para a chegada da febre do orgulho. Porque a oração não é um exercício espiritual de sacrifício para crescer os músculos da justiça própria em nosso coração

“Senhor, ensina-nos a orar”. Precisamos confessar a nossa fraqueza de viver sem orar, a nossa incapacidade de orar com egoísmo e nosso inadequado jeito de orar.

Deus nos convida a aprender a orar a Deus através de nossas fraquezas e debilidades, a fim de crescermos na graça do Senhor Jesus, sendo guiados pelo Espírito Santo que ora em nós e por nós quando não sabemos orar.

Em Cristo, a oração encarnada

Jairo Filho

Pedro Zé e o jornalista

São 15:00. Um jornalista apressado chama o táxi. O táxi chega. E o motorista, Pedro Zé, já começa o assunto.

Pedro Zé: Oi. Boa tarde. Onde o senhor deseja ir?

Jornalista: Leve-me até a avenida principal da cidade.

Pedro Zé: OK!

O jornalista, muito curioso, observa vários versículos bíblicos colados no carro. E pergunta: O senhor é crente?

Pedro Zé responde: Não. Não sou crente não. Eu sou evangélico. Todo mundo é crente, mas só alguns são evangélicos.

Jornalista: É mesmo? E o que é ser evangélico?

Pedro Zé: Ser evangélico é ser um crente fiel da igreja evangélica. É ser membro. É ir a todos os cultos da igreja. Falando nisso, eu queria convidar o senhor a ir no culto de hoje a noite na minha igreja. Hoje vai ser o culto da benção sem fim.

Jornalista: Onde é tua igreja?

Pedro Zé: É aquela igreja grande que fica na avenida principal.

Jornalista: Ah! Eu vou descer perto dessa igreja. E como são os cultos da tua igreja? Em que você Crer?

Pedro Zé: O culto é benção pura. A unção desce naquele lugar. Eu gosto de lá, porque lá prega que só Jesus Cristo é o Senhor. Nessa igreja eu aprendi que Deus salva apenas as pessoas obedientes e santas – por isso eu oro, faço jejum, evangelizo todo mundo, vou a igreja, me santifico. Graças a Deus eu sou um crente muito fiel. E eu falo isso com muita humildade.

Jornalista: E o que se prega nesses cultos?

Pedro Zé: O pastor prega que Deus abençoa somente quem se sacrifica. Quando alguém quer receber uma graça de Deus tem que dar alguma coisa em troca para Deus. Por ex: Você quer aumento de salário, então dê a Deus muitas ofertas em R$ que seja um sacrifício pra você na corrente da fé. Ou seja, o tamanho da benção depende do tamanho do sacrifício. E eu creio nisso. Por isso que sou evangélico.

Jornalista: E mesmo depois de ofertar, se o crente não receber a benção que tanto espera?

Pedro Zé: Se não receber, é porque o crente não cumpriu toda a campanha da fé. São 7 semanas de corrente de fé “bençãos sem fim”. Deus honra somente aqueles que perseveram. Mas, olha, o senhor não pode faltar nenhuma noite, nem desistir no meio da corrente, senão, tem que começar tudo de novo. E se faltar, perde a benção. O senhor não vai querer perder a benção né?

Jornalista: E se o crente faltar um culto ou não ofertar?

Pedro Zé: Deus não vai dar a benção para os infiéis. Deus abomina aqueles que pecam e quem desiste de perseverar na corrente da fé. Por isso, eu não falto a nenhum culto, senão eu perco a benção e Deus pode me castigar.

Reporte: E o senhor já ganhou as bênçãos que tem pedido a Deus?

Pedro Zé: Meu filho ainda não foi curado do câncer, porque eu faltei a dois cultos. Nesses dois dias eu faltei porque precisei ganhar mais dinheiro fazendo duas viagens, pra dar de oferta na igreja, e quando eu cheguei na igreja, o culto já tinha terminado. Eu me sinto culpado até hoje por causa desse meu pecado. Se não fosse isso, meu filho já teria sido curado. Acho que é por isso que meu filho mais velho ainda está nas drogas também.

Jornalista: Então o senhor carrega culpa?

Pedro Zé: O que não dá certo na minha vida é culpa minha. Deus nunca é culpado de nada. Lá na nossa igreja é diferente da outras igrejas. Lá, nós temos muito respeito por Deus. Com Deus não se brinca. Se não houver sacrifício de nossa parte, Deus não abençoa. Deus nos chama a carregar a cruz como sacrifício pra ele. É assim que é, e é assim que deve ser.

Jornalista: Tá bom! Obrigado. Chegamos onde eu queria. Pode ficar com o troco pra você dar na igreja por mim, pra vê se Deus me salva.

Jornalista chega ao seu destino. Ele se encontra com um amigo para uma reunião de negócios. E os dois começam a conversar.

Jornalista: Acabei de ouvir um papo religioso com um taxista careta cheio de culpa. Ele vive indo a igreja pra ser mais santo com medo de Deus. Ele nem sabe, mas ele tá tentando comprar o favor de Deus com seus dízimos.

Amigo do Jornalista: Esses crentes são todos uns loucos. A minha avó vai numa igreja que só tem pessoas esquizofrênicas. Na igreja dela as pessoas se vestem esquisito. Não aceitam pessoas como elas são. Os irmãos da igreja dela nem conversam comigo, só porque eu uso tatuagem e tenho esse cabelo. Eles se acham melhores do que eu.

Jornalista: O taxista crente me passou uma imagem de um Deus muito injusto; um Deus que está 24 horas nos vigiando só para nos castigar. Pareceu-me um Deus corrupto onde um dízimo e uma freqüência assídua a igreja pode apagar a ira Dele. Isso significa que eu posso comprar a benção de Deus. E assim, a benção deixa de ser de graça. Eu não entendo esses crentes. Por isso que eu não vou a igreja. Busco a Deus do meu jeito.

Amigo do Jornalista: Eu não preciso ir a igreja para buscar a Deus. Eu não preciso entregar dinheiro para os pastores, nem ser um santo para ir ao céu. Eu faço caridade uma vez no mês naquela creche. E isso já basta. Além do mais, se minha salvação dependesse da minha santidade eu tava frito. Eu nunca vou ser aceito. Deus não aceita fumantes nem bêbados como eu.

Jornalista: Meu tio foi pastor de uma grande igreja. Mas descobrir depois que ele roubava tanto. Ele era tão rigoroso com as regras da igreja, mas soube que ele tinha várias amantes. Por isso eu não vou a igreja. Deus é injusto, Ele permite tanto sofrimento e nem sequer dá uma mãozinha pra gente. Lembro que quando eu perdi minha mãe, me senti tão só, desesperado e me disseram que minha mãe não foi curada porque eu não tive fé. Eu tive muita paciência para aturar aquele taxista crente. Quase que eu dizia a ele para não acreditar mais em Deus porque não vale a pena servir a Deus. O filho dele pode até mesmo morrer. E a culpa será de Deus. E o coitado fica sacrificando a vida toda e prol de um Deus que não nos ajuda no sofrimento.

Amigo do jornalista: É verdade. Por isso eu curto a minha vida do meu jeito. Não tô nem aí para igreja e pra esse papo careta de religião. Eu sou a minha religião. Eu determino o meu jeito de viver. Falando nisso, marquei com aquelas meninas, uma festa lá na minha casa hoje a noite.

Jornalista: Hoje vai ser a noite da paixão; não a paixão de Cristo, mas a nossa paixão. Vamos lá?

Amigo do jornalista: É isso aí, vamos aproveitar esse feriado longe da igreja e perto da mulheres....


É assim que falam os evangélicos. É assim que falam do "evangelho". É assim que falam dos evangélicos.

Esse é o perfil de nossa geração.

Que evangelho temos vivido e pregado?

Pense bem!

Jairo Filho - Escrito em 07 de abril de 2007 com muitas inquietações no coração sobre a diferença entre evangelho e religião.

As torres do coração


Depois de 5 anos, não tem como esquecer que o mundo todo foi abalado na manhã de 11 de setembro de 2001. Os olhos do mundo viram ao vivo, naquele dia, o World Trade Center ser derrubado por dois aviões seqüestrados por terroristas. Em poucos segundos, as torres do coração dos EUA foram derrubadas num certeiro golpe suicida. E os olhos do mundo choraram ao ver milhares de pessoas mortas soterradas debaixo dos escombros das duas torres gêmeas mais famosas do mundo. Esta data ficou gravada para sempre no calendário do mundo. Porque ninguém nunca vai esquecer esse atentado terrorista que vitimou milhares de pessoas em poucos segundos. E porque ninguém vai esquecer esse dia quando a atual nação mais poderosa do mundo vestiu luto e se prostrou de joelhos com a cara na sua própria limitação, vulnerabilidade, fraqueza e finitude diante das tragédias da vida. Após essa tragédia acontecer, os cemitérios dos EUA ficaram lotados, enquanto eram regados por lágrimas e decoradas por flores murchas e tristes. E nos funerais, os cristãos tentavam consolar os parentes das vítimas e explicar essa tragédia inexplicável. Após 5 anos, ainda escutamos o eco deste lamento nos quatro cantos do império estadunidense. E ainda, ninguém não conseguiu explicar essa tragédia, e nem vai ser hoje que tentaremos dar alguma explicação. O que podemos dizer e que as torres do coração dos estadunidenses foram derrubadas. E é por isso que ate hoje, vestimos luto e lamentamos no inesquecível dia 11 de setembro.

Se olharmos para essa tragédia pela perspectiva da morte de milhares de pessoas, pela perspectiva da violência dos terroristas, pela perspectiva da falha da segurança dos EUA e pela perspectiva da guerra política entre os cristãos estadunidenses e os mulçumanos do oriente, teremos o mesmo olhar: um olhar de lamento, de luto, de revolta e de enfrentamento. Com esse mesmo olhar todo mundo já viu e já falou o mesmo. O que eu quero chamar a atenção é para o significado que tem quando as torres do coração de uma nação é destruída. Ou melhor, quando as torres do nosso coração são destruídas.

Às vezes, essa tragédia e esse luto dos estadunidenses parecem distantes de nossa realidade. Mas se olharmos pra dentro de nosso coração, encontraremos muitas torres erguidas ou destruídas e sentiremos uma empatia que nos aproxima mais deles. Quando as torres caíram, não foi apenas dois prédios desmoronados e milhares de pessoas mortas que os americanos viram naquele dia. Foi muito mais do que isso. A nação estadunidense viu naquele dia seu poder, sua segurança, sua beleza, seu status internacional, sua riqueza, seu império e a glória do seu coração serem destruídos quando as torres caíram. Porque as torres representavam o que o coração dos estadunidenses mais amavam na vida.

Da mesma forma, durante nossa historia, construímos torres em nosso coração e nos abrigamos nelas. E ainda, vemos essas mesmas torres serem destruídas pelos mais variados atentados da vida nos deixarem desabrigados e inseguros. Estas torres do coração podem ser sonhos a serem alcançados, projetos de vida realizados, relacionamentos a serem conquistados ou já conquistados, utopias políticas, religião, esperança de um mundo melhor, busca de um corpo saudável, status social, família, amigos, país, condições morais, políticas e espirituais, uma profissão de sucesso, poder, riqueza, sexo, uma viagem de férias, estilo de vida, uma história de uma vida toda, o que mais amamos na vida, ou tudo aquilo que firmamos nossa vida para nos da segurança de vida. Mas, isso tudo não passa de uma falsa segurança de vida. Porque somos vitimas de muitos atentados quando uma frase ou um gesto maldoso e traiçoeiro nos machuca, quando uma acidente mata quem nos mais amamos, quando nossos negócios nos deixam falidos, quando um filho que nasceu doente paralisa toda a família, quando o exame que deu positivo nos derruba na cama, quando a depressão nos sepulta num quarto escuro, quando um derrame ou uma parada cardíaca chega sem avisar, quando a noticia que sua filha esta grávida ou que seu filho esta se drogando culpam tua paternidade por fracasso, quando seu cônjuge pede o divorcio e te fere o coração, quando o patrão nos demite e nos deixa desempregados, quando ficamos noites sem dormir pela culpa das dividas financeiras, quando o que mais amamos na vida e destruído, ou, simplesmente, quando as torres que construímos em nosso coração são destruídos pelos atentados da vida. Mas quem derruba e destrói as torres do nosso coração? Deus? Alguém? Nos mesmos? Muitas podem ser as respostas dependendo do ponto de vista. Mas podemos ousar dar uma das muitas respostas e dizer que quem nos derruba é a nossa limitação, vulnerabilidade, fraqueza e finitude humana diante da vida. E estas, não fazem aniversario apenas no dia 11 de setembro, mas, fazem todos os dias.

Passamos a vida toda construindo torres dentro do nosso coração. E num piscar de olhos, numa rápida sucessão catastrófica de desgraças, perdemos tudo o que temos e tudo o que somos. Depois lamentamos pela destruição delas, tentamos reconstruí-las ou construímos outras no lugar. Passamos nossa existência buscando abrigo nas torres do nosso coração para encontrar sentido nesta vida soterrada sob os entulhos do sofrimento da vida e sob o terreno baldio e sagrado de nosso coração. Quando as torres de nosso coração são derrubadas e destruídas sofremos pela perda de nosso bem maior e pela destruição daquilo que e nossa identidade e nosso sentido de vida. E inevitável não chegar a conclusão de que as torres do coração não permanecem para sempre, não preenchem nosso coração por não ser nossa identidade segura, nem nos oferecem razão de viver porque sempre é destruída. As torres são sempre destruídas para demonstrar nosso coração vazio e carente, demonstrar nossa fraqueza, insegurança, vulnerabilidade e finitude. Assim, não adianta mais construir nenhum tipo de torre que seja o centro do nosso coração. Ou seja, toda torre construída em nosso coração, um dia cairá.

O livro de Gênesis da Bíblia Sagrada nos conta a história de uma torre inacabada, chamada torre de Babel. Essa historia bíblica nos conta que os homens planejaram construir uma cidade com uma torre que alcançasse os céus a fim de que eles se tornassem famosos e para não se espalharem pela face da terra. Dessa maneira, eles estavam se rebelando contra o mandato cultural de Deus de crescer e multiplicar. Nessa historia, construir a torre era um ato de rebeldia contra Deus. Mas podemos dizer que antes de construírem a torre de Babel no concreto, eles construíram a torre de pecado no seu coração. A torre de Babel representava um ato de rebeldia e de independência de Deus. E como reprovação divina, Deus não permitiu que a construção da torre fosse terminada, e confundiu a língua de todo mundo. E dali o Senhor os espalhou por toda a terra (Gn 11.1-9).

No Novo Testamento da Bíblia Sagrada, em vez de encontrar abrigo e segurança nesse tipo de torres do coração, Jesus nos ensina a morar na casa do Pai. A torre do coração é um lugar de prepotência, independência e de rebeldia contra Deus. Já, a casa do Pai é um lugar de salvação, um lugar de segurança e dependência e de relacionamento intimo de amor com Deus Pai. A parábola dos dois filhos perdidos contada por Jesus no livro de Lucas 15. 11-32 registra Jesus indicando a casa do Pai como um lugar seguro de relacionamento de amor com Deus Pai para nossa vida aqui e agora com Ele. Alem disso, no livro de João 14.2, Jesus promete que irá para o Pai que esta nos céus, mas voltara em breve para buscar os que são seus para morarem eternamente na casa do Pai, a fim de viverem ao lado de Jesus por toda a eternidade. Para completar, Jesus ainda disse no livro de Mateus 7.24,5 que quem ouve as palavras dele é como um homem prudente que construiu sua casa alicerçada sobre a rocha. E quando a caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa, mas ela não caiu. Isso quer dizer que a Palavra de Deus é segurança e sabedoria para não nos perdemos durante os atentados da vida. E se Deus não edificar nossas vidas, todo nosso esforço, trabalho e mérito para nos dá a nós mesmo a segurança que queremos, será em vão. “Porque se o Senhor não for o construtor da casa será inútil trabalhar na construção” (Salmos 127. 1a).

Não tem como negar que nossa vida esta cheia de datas como 11 de setembro que marcam grandes perdas, tragédias e destruições em nossas vidas. Quando Jesus nos apresenta sua casa como o melhor lugar para se viver, ele não esta falando de mais um lugar físico de concreto que pode ser derrubado a qualquer momento, nem falando de templos religiosos feitos por mãos humanas. Mas em vez disso, a casa de Deus é a figura usada por Jesus para nos ensinar a desfrutar de um relacionamento com Deus, para crer nele para a salvação eterna e para obedecer suas palavras a fim de nos proteger com prudência das catástrofes da vida. Isso quer dizer que datas como 11 de setembro podem destruir as torre do nosso coração, mas nunca poderão destruir nosso amor incondicional e desinteressado por Deus.

Mesmo vivendo em cenários de insegurança, vulnerabilidade e finitude, o amor que Deus tem por nós nunca se acabará. E mesmo que dias como aquele 11 de setembro nos atinjam com tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez perigo ou espada, nada será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 8.35 e 39). Esta é a grande segurança que podemos ter: morar na casa de Deus Pai tendo o nosso coração preenchido pelo seu infinito amor.

Assim, quando as torres do seu coração for mais uma vez destruída, reconstruída e você viver lamentando pelos cantos, lembre-se de voltar sua atenção para sua condição humana de pecador afastada de Deus e voltar para casa do Pai. Lembre-se que fomos criados por Deus e para Deus. Assim, nossa vida terá sentido e nosso coração será preenchido quando Deus entrar em nosso coração. Porque é somente em Deus que encontramos segurança eterna, sentido para vida e amor para viver. Quando Deus entra em nosso coração, ele se torna nossa fortaleza, nosso refúgio e nosso socorro nos dias das tragédias, perdas e destruições da vida. Por isso podemos dizer que “No dia da adversidade ele me guardará protegido em sua habitação, no seu tabernáculo me esconderá e me porá em segurança sobre um rochedo” (Sl 27. 5). E somente “Deus e o meu aliado fiel, a minha fortaleza, a minha torre de proteção e o meu libertador, e o meu refúgio, aquele em quem me refugio" (Salmos 144.2). Porque quando moramos na casa do Pai, nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo, nosso Senhor. E quando Deus está em nosso coração, nossa vida inteira passa a ser de propriedade exclusiva de Deus (I Pe 2.9). E mesmo quando sofremos pelas perdas, sabemos que nunca perderemos Deus, porque ele é nosso bem maior e nunca vai se separar de nós. Por isso, saia da torre do seu coração e venha morar na casa do Pai. Esse é o melhor lugar pra se você viver. Oremos: “Tu és o meu refugio e a minha fortaleza, o meu Deus em quem confio" (Salmos 91.2). Por isso, “uma coisa peco ao Senhor e a buscarei: que eu possa viver sempre na casa do meu rei”.


Jairo Filho
Escrito em setembro de 2006.