As culturas devem ser lidas nas linhas e entrelinhas. As linhas falam da coisa em si. As entrelinhas falam do espírito da coisa. As entrelinhas podem distorcer e até mesmo destruir o que está dito nas linhas.
Com a cultura cristã não é diferente. Veja o exemplo da assinatura da Igreja Universal do Reino de Deus, a saber, Jesus Cristo é o Senhor. De acordo com o Novo Testamento, isso significa que devemos viver como escravos dos propósitos de Jesus Cristo: ele manda e a gente obedece, ele propõe e a gente executa, ele dirige e a gente segue, pois afinal de contas, Ele é o Senhor. Mas na cultura da IURD, as entrelinhas dessa afirmação fazem com que ela signifique que Jesus pode realizar todos os seus desejos, afinal de contas Ele é o Senhor.
A relação fica invertida: você clama e ele responde, você reivindica e ele atende, você pede com fé e ele lhe dá o que foi pedido, você participa da corrente de oração e se submete aos 318 pastores e Jesus faz a sua vida próspera e confortável, pois Jesus Cristo é o Senhor e você é “filho do rei”, de modo que não há qualquer motivo para que você continue nessa vida miserável, daí a segunda convocação da IURD: “para de sofrer”. Percebe como as linhas dizem uma coisa e as entrelinhas dizem outra?
O movimento evangélico é mestre em fazer confusão e promover distorção do Evangelho em virtude desse jogo de linhas e entrelinhas. Um exemplo disso é a mensagem VAI DAR TUDO CERTO, que recebi essa semana.
SALMO 22
VAI DAR TUDO CERTO
DEUS me pediu que te dissesse que tudo irá bem contigo a partir de agora.
Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos.
Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória.
Esta manhã bati na porta do céu e DEUS me perguntou...
'Filho, que posso fazer por você ?'
Respondi:
'Pai, por favor, protege e bendiz a pessoa que está lendo esta mensagem'.
DEUS sorriu e confirmou: 'Petição concedida'.
Leia em voz baixa...
'Senhor Jesus :
Perdoa meus pecados.
Amo-te muito, te necessito sempre, estás no mais profundo de meu coração, cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos'.
Passe esta oração a 5 pessoas, no mínimo.
Receberás um milagre amanhã.
Não o ignore.
Deus tem visto suas Lutas.
Deus diz que elas estão chegando ao fim.
Uma benção está vindo em sua direção.
Se você crê em Deus, por favor envie esta mensagem para 20 amigos.
Se acredita em Deus envia esta mensagem a 20 pessoas,
se rejeitar lembre Jesus disse:
“se me negas entre os homens, te negarei diante do pai” Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa
Deixo de lado a crítica gramatical e o péssimo uso da lingua portuguesa. Dedico minha atenção ao conteúdo da mensagem que, travestida de cristã, é absolutamente anti-cristã: mentirosa, fantasiosa, desprovida de qualquer sentido bíblico, desalinhada com o todo do ensino e experiência de Jesus, seus apóstolos, e seus primeiros seguidores, totalmente alinhada com os dircursos baratos da auto-ajuda e da enganação religiosa, enfim, uma versão barata e piedosinha da superstição sincrética do espiritualismo popular.
A afirmação “vai dar tudo certo”, lida de acordo com as linhas do Novo Testamento, significaria, por exemplo, que os propósitos de Deus prevalecerão, a marcha da igreja de Jesus Cristo contra os poderes do mal será vitoriosa, a vontade de Deus será um dia feita na terra como o céu. Mas também significaria que os seguidores de Jesus seriam sempre ovelhas em meio aos lobos [Mateus 10.16], odiados pelo sistema sócio-político-econômico anti reino de Deus, ameaçados de morte, rejeitados, caluniados, e perseguidos por causa do nome de Jesus [Mateus 5.10-12], e passariam por muito sofrimento e tribulação antes de receberam a vitória plena no reino eterno de Deus [Atos 14.22]. Isto é, antes de dar tudo certo, daria tudo errado.
A convicação de que “em Cristo somos mais que vencedores” [Romanos 8.37], e que “em Cristo Deus sempre nos conduz em triunfo” [2Coríntios 2.14], é também acompanhada de uma profunda compreensão a respeito dos custos de se colocar ao lado de Deus e do reino de Deus, em oposição à injustiça e aos agentes promotores e mantenedores da morte no mundo.
Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte. Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados! Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.
[1Coríntios 4.9-13]
Fica, portanto, muito evidente que quando os cristãos do Novo Testamento diziam que “vai dar tudo certo” estavam afirmando coisas completamente diferentes dessas afirmadas na mensagem que recebi pela internet, que diz:
Tudo irá bem contigo a partir de agora.
Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos.
Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória.
Cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos'.
Receberás um milagre amanhã.
Uma bênção está vindo em sua direção.
Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa.
Meu amigo, minha amiga, não é verdade que “tudo irá bem contigo a partir de agora”, e também não é verdade que “você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos”. Não se iluda, pois não é verdade que “nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória”.
Preste atenção: o compromisso cristão não suplica que Deus cubra com sua luz “minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos”. Na verdade, o compromisso cristão exige que você deixe de viver para seus sonhos, seus planos e seus projetos e passe a viver para Deus, pois, como ensina a Bíblia, “o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou“ [2Coríntios 5.14,15], e justamente por isso é que quem deseja seguir a Jesus deve lembrar o que Jesus disse:
"Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” [Mateus 16.24-26]
Também não é verdade que “receberás um milagre amanhã” e que “dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa”.
Pelo amor de Deus, jogue fora esse evangelho açucarado, que promete o que Deus jamais prometeu, e gera falsas esperanças nas pessoas. Respeite o sofrimento e a dor das milhares de pessoas que, apesar de sua fé, e talvez justamente por causa de sua fé, passam fome, não têm mínimas condições de sobrevivência, sofrem as consequências de tragédias pessoais e fatalidades naturais, são vítimas de um sistema mundano cruel, que as condena à escravidão e a uma vida sem futuro.
Lembre dos cristãos que vivem na África, na Índia, na América Latina, e nos rincões miseráveis do Brasil. Seja solidário com as minorias: os negros escravizados, as mulheres violentadas, as crianças abusadas, as populações indígenas dizimadas, os refugiados de guerra, os perseguidos políticos, os desaparecidos.
Respeite a grandeza dos cristãos perseguidos e mortos sob a tirania do fundamentalismo islâmico e dos regimes políticos ateístas. Pense um pouco se essa mensagem “vai dar tudo certo, todos os seus sonhos se realizarão, você vai receber um milagre amanhã” faz algum sentido na ala infantil do Hospital do Câncer, no campo de refugiados (mutilados) de Angola, ou nos casebres secos do sertão brasileiro.
Construa sua fé sobre um alicerce mais sólido. Por exemplo, o Salmo 22, aviltado com essa mensagenzinha “vai dar tudo certo”. Aliás, é bom lembrar que Bíblia não é um livro que pode ser manuseado por qualquer pessoa, de qualquer jeito. Da mesma maneira que não é qualquer pessoa que pode dar palpite a respeito do direito, de medicina, da engenharia, ou do marketing, também a teologia exige um mínimo de preparo, senão, muito preparo mesmo. Digo isso porque talvez o autor dessa mensagenzinha não saiba que o Salmo 22 é um dos Salmos messiânicos, que profetiza o sofrimento e o fracasso do Messias, que foi (1) abandonado por Deus e pelos homens [Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra], (2) rejeitado [Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo], (3) insultado [Caçoam de mim todos os que me veem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim], (4) dilacerado pela dor que lhe foi brutalmente imposta [Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte. Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés], e por fim (5) cuspido na cara e crucificado como impostor.
Para esse Messias não deu nada certo. Ele não recebeu uma boa notícia quatro minutos após sua agonia no Getsêmani, e também não recebeu um milagre no dia seguinte. No dia seguinte foi crucificado.
Mas esse Messias, apresentado pelo profeta como “homem de dores, que sabe o que é padecer” [Isaías 53], “Deus exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” [Filipenses 2.9-11]. Isso sim é dar tudo certo.
Provavelmente alguém vai dizer que é isso o que a mensagenzinha da internet quis dizer. Mas não foi. Nas linhas, pode ter sido. Mas no contexto da religiosidade popular e da subcultura evangélica, a mensagenzinha sugeriu que “os seus sonhos e os seus projetos” darão certo, e que você pode esperar para amanhã aquela resposta milagrosa de Deus para resolver seus problemas e dificuldades particulares, e que em quatro minutos você vai receber uma notícia boa, muito provavelmente trazendo a você uma bênção na forma de conforto e prosperidade.
Em síntese, a mensagenzinha pode ser interessante, pode trazer uma esperança e um conforto para quem está lutando contra um sofrimento ou uma dificuldade medonha, e pode até mesmo trazer um alívio do tipo “eu sei que não é bem assim, mas é bom pensar que é, ou acreditar que pode ser”. Mas definitivamente essa mensagenzinha não tem nada a ver com o Evangelho de Jesus Cristo.
Ed René Kivitz
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Quando seu pregador não é John Piper - Por Steve Burchett
Muitos que tiveram o privilégio de ouvir a pregação de John Piper¹ testificam que ela parece um evento monumental. Sua pregação é uma combinação poderosa de verdade e paixão, levando os ouvintes à convicção e à alegria. Após o sermão, certos ouvintes podem sair se perguntando se estavam na presença de uma figura da qual se falará nos futuros séculos.
Então, eles voltam para suas igrejas onde muitas coisas são diferentes, inclusive a pregação! Felizmente, o Evangelho está sendo continuamente proclamado. Efetivamente, os sermões são completamente bíblicos. Porém, a habilidade de seu pregador regular simplesmente não chega aos pés da pregação fenomenal que ouviram recentemente.
A menos que você frequente regularmente a igreja de um dos célebres pregadores de nossos dias, provavelmente você tem enfrentado uma situação semelhante. Em uma conferência ou na Internet você tem ouvido pregações excepcionais, mas todo domingo está de volta à sua igreja pequena e simples, que dificilmente alguém de outra cidade conhece, com um pastor que é um “João Ninguém” e que provavelmente nunca pregará para milhares.
O que fazer se seu pastor, pregador do Evangelho, não é tão bom quanto um dos grandes oradores de nossos dias? É hora de vender a casa, reunir a família e mudar de igreja? Não, eu não acho. Mas o que você deve fazer?
Primeiro, alegre-se com o fato de que seu pregador é um homem que proclama o Evangelho. Em algumas cidades, achar um homem que prega o verdadeiro Evangelho é tão difícil quanto localizar aquela nova e preciosa bola de golfe que você lançou 100 jardas no meio do bosque! Uma vez tive que suportar um sermão de 40 minutos onde o pregador falou principalmente sobre as férias de sua família. Embora esse seja um exemplo extremo do que não é a pregação do Evangelho, muitos pregadores falham em falar do Deus Santo, da humanidade pecadora e da obra redentora de Cristo. Mas não seu pregador. Ele fala honestamente sobre o pecado, proclama corajosamente “Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co. 2:2) e, então, amorosamente convida seus ouvintes a se arrependerem e crerem. Esse é um motivo para se alegrar.
Segundo, reconheça que certos homens são singularmente dotados pelo Senhor para ter um ministério internacional e ser uma atração internacional, mas esta não é a norma. Uma igreja local típica deve estar satisfeita por apontar como pastores homens que são “irrepreensíveis” em suas vidas, que crêem no Evangelho, estão aptos para ensinar a Palavra de Deus e aspiram servir como pastores (1 Tm. 3:1-7; Tt. 1:5-9). A maioria dos pregadores não será surpreendentemente agradável e polida. Eles podem nunca ser os palestrantes principais numa grande conferência, mas isto não é uma trágica falha em seu lugar no reino de Deus. É precisamente o propósito Dele.
Terceiro, se seu pastor é (honestamente) enfadonho, mas prega a verdade fielmente, uma pequena declaração que eu ouvi uma vez pode ser útil para você relembrar: "O adorador maduro é facilmente edificado". Quando ouvem uma pregação sem brilho (mesmo que bíblica), adoradores imaturos normalmente não dão ouvidos à mensagem porque eles esperavam que o mensageiro fosse mais emocionante. Ao contrário, adoradores maduros recebem ansiosamente a verdade quando ela está sendo proclamada, mesmo que pareça que o pregador está lendo uma agenda telefônica.
Quarto, ouça a pregação dando sinais externos. O que eu quero dizer é o seguinte: sente-se com sua Bíblia aberta e rotineiramente faça contato visual com quem está pregando. Um ocasional aceno de cabeça de sua parte quando o pregador faz uma afirmação acertada irá encorajá-lo e aumentará sua confiança. Em minhas experiências, tanto de pregar quanto de ouvir sermões, posso confirmar que ouvintes que bocejam e ficam com olhares sonolentos fazem pregações medíocres ficarem piores, enquanto ouvintes ansiosos inspiram pregações melhores.
Quinto, encoraje verbalmente os pregadores na sua igreja. Todo pregador que não é extraordinariamente talentoso ouve pregações singulares e lamenta-se: “Depois de ouvir isso, por que eu aindo tento?!”. Este é um estranho fenômeno, mas grandes pregações de renomados mestres de nossos dias fazem pastores “comuns” ficarem desencorajados. Aqui está uma maneira simples para você salvar seu pastor: depois de um sermão, ao invés de simplesmente dizer “belo sermão!” enquanto você se dirige à porta, tire alguns momentos para dizer a ele o que, no sermão, foi especialmente útil e/ou trouxe convicção de pecado. Na primeira igreja onde eu servi como pastor, um jovem casal, cerca de uma vez por mês, ficava conversando comigo após o culto sobre o que eles aprenderam. Essas conversas úteis duravam mais de uma hora. Ainda hoje, fico animado quando recordo o entusiasmo deles por aquilo que foi ensinado.
Nós devemos louvar ao Senhor por nos dar pregadores proeminentes e bem conhecidos, mas que nós não nos esqueçamos do mandamento de Paulo a Timóteo, que estava estabelecido numa igreja local com pastores cujos nomes nenhum de nós conhece: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1 Tm. 5:17).
¹ John Piper é o principal pastor e mestre da Igreja Batista Belém em Minneapolis, Minnesota (EUA) , e um pregador regular em conferências ao redor do mundo.
Então, eles voltam para suas igrejas onde muitas coisas são diferentes, inclusive a pregação! Felizmente, o Evangelho está sendo continuamente proclamado. Efetivamente, os sermões são completamente bíblicos. Porém, a habilidade de seu pregador regular simplesmente não chega aos pés da pregação fenomenal que ouviram recentemente.
A menos que você frequente regularmente a igreja de um dos célebres pregadores de nossos dias, provavelmente você tem enfrentado uma situação semelhante. Em uma conferência ou na Internet você tem ouvido pregações excepcionais, mas todo domingo está de volta à sua igreja pequena e simples, que dificilmente alguém de outra cidade conhece, com um pastor que é um “João Ninguém” e que provavelmente nunca pregará para milhares.
O que fazer se seu pastor, pregador do Evangelho, não é tão bom quanto um dos grandes oradores de nossos dias? É hora de vender a casa, reunir a família e mudar de igreja? Não, eu não acho. Mas o que você deve fazer?
Primeiro, alegre-se com o fato de que seu pregador é um homem que proclama o Evangelho. Em algumas cidades, achar um homem que prega o verdadeiro Evangelho é tão difícil quanto localizar aquela nova e preciosa bola de golfe que você lançou 100 jardas no meio do bosque! Uma vez tive que suportar um sermão de 40 minutos onde o pregador falou principalmente sobre as férias de sua família. Embora esse seja um exemplo extremo do que não é a pregação do Evangelho, muitos pregadores falham em falar do Deus Santo, da humanidade pecadora e da obra redentora de Cristo. Mas não seu pregador. Ele fala honestamente sobre o pecado, proclama corajosamente “Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co. 2:2) e, então, amorosamente convida seus ouvintes a se arrependerem e crerem. Esse é um motivo para se alegrar.
Segundo, reconheça que certos homens são singularmente dotados pelo Senhor para ter um ministério internacional e ser uma atração internacional, mas esta não é a norma. Uma igreja local típica deve estar satisfeita por apontar como pastores homens que são “irrepreensíveis” em suas vidas, que crêem no Evangelho, estão aptos para ensinar a Palavra de Deus e aspiram servir como pastores (1 Tm. 3:1-7; Tt. 1:5-9). A maioria dos pregadores não será surpreendentemente agradável e polida. Eles podem nunca ser os palestrantes principais numa grande conferência, mas isto não é uma trágica falha em seu lugar no reino de Deus. É precisamente o propósito Dele.
Terceiro, se seu pastor é (honestamente) enfadonho, mas prega a verdade fielmente, uma pequena declaração que eu ouvi uma vez pode ser útil para você relembrar: "O adorador maduro é facilmente edificado". Quando ouvem uma pregação sem brilho (mesmo que bíblica), adoradores imaturos normalmente não dão ouvidos à mensagem porque eles esperavam que o mensageiro fosse mais emocionante. Ao contrário, adoradores maduros recebem ansiosamente a verdade quando ela está sendo proclamada, mesmo que pareça que o pregador está lendo uma agenda telefônica.
Quarto, ouça a pregação dando sinais externos. O que eu quero dizer é o seguinte: sente-se com sua Bíblia aberta e rotineiramente faça contato visual com quem está pregando. Um ocasional aceno de cabeça de sua parte quando o pregador faz uma afirmação acertada irá encorajá-lo e aumentará sua confiança. Em minhas experiências, tanto de pregar quanto de ouvir sermões, posso confirmar que ouvintes que bocejam e ficam com olhares sonolentos fazem pregações medíocres ficarem piores, enquanto ouvintes ansiosos inspiram pregações melhores.
Quinto, encoraje verbalmente os pregadores na sua igreja. Todo pregador que não é extraordinariamente talentoso ouve pregações singulares e lamenta-se: “Depois de ouvir isso, por que eu aindo tento?!”. Este é um estranho fenômeno, mas grandes pregações de renomados mestres de nossos dias fazem pastores “comuns” ficarem desencorajados. Aqui está uma maneira simples para você salvar seu pastor: depois de um sermão, ao invés de simplesmente dizer “belo sermão!” enquanto você se dirige à porta, tire alguns momentos para dizer a ele o que, no sermão, foi especialmente útil e/ou trouxe convicção de pecado. Na primeira igreja onde eu servi como pastor, um jovem casal, cerca de uma vez por mês, ficava conversando comigo após o culto sobre o que eles aprenderam. Essas conversas úteis duravam mais de uma hora. Ainda hoje, fico animado quando recordo o entusiasmo deles por aquilo que foi ensinado.
Nós devemos louvar ao Senhor por nos dar pregadores proeminentes e bem conhecidos, mas que nós não nos esqueçamos do mandamento de Paulo a Timóteo, que estava estabelecido numa igreja local com pastores cujos nomes nenhum de nós conhece: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1 Tm. 5:17).
¹ John Piper é o principal pastor e mestre da Igreja Batista Belém em Minneapolis, Minnesota (EUA) , e um pregador regular em conferências ao redor do mundo.
Steve Burchett
Esse texto é muito bom!
Após a leitura compartilho algumas conclusões:
Esse texto dilata minha mente para pensar que é trágico diagnosticar que a audiência evangélica está mais concentrada na embalagem da retórica do que no conteúdo do evanhelho puro, simples e verdadeiro de Jesus Cristo.
Um texto como esse nos alerta e nos incentiva a ouvir a Palavra de Deus mais do que ouvir a retórica humana do pregador. Quando isso não acontece, muita gente é enganada pelo pseudo-evangelho embalado pela fachada de um púlpito eloquente, porque ouvem mais a habilidade retórica do pregador do que o conteúdo de sua mensagem. Isso é semelhante a degustar deliciosamente xixi dentro de uma garrafa de champagne gelada. As pessoas não bebem o conteúdo, mas sim a garrafa e a sua marca.
É verdade que a retórica pode ser uma boa e útil ferramenta para a comunicação do evangelho de púlpito. E ainda que Deus levanta homens especiais com o dom da comunicação para irem e falarem a grandes públicos. Mas, quando a retória do pregador é má utilizada com estrelismo, a eloquência humana pode abafar, esconder, corromper e aparecer mais do que o conteúdo da Palavra de Deus; e a voz do pregador se torna mais ouvida que a voz do supremo pastor Jesus Cristo e a glória de Deus é corrompida.
Por outro lado, também, bom pregador é aquele que, semelhante a Jesus, torna o chão da existência o púlpito da vida com sua pregação encarnada. Ou seja, o púlpito também pode ser mal usado como um lugar de alienação e esconderijo para não conviver com as pessoas e seus dramas na vida real; e o academicismo da ciência teológica e a retórica com inteligência e carisma, exclusivamente humana, podem ser o statos quo do pregador que está com a síndrome de lúcifer, pregando independente da ação sobrenatual do Espírito Santo que opera invariavelmente na vida dos pregadores humildes e simples.
Imagem não é tudo. Prestemos atenção ao conteúdo. Voltemos ao evangelho. Vamos ouvir a voz do supremo Pastor.
Se nós refletirmos bem na dádiva do que o texto nos propõe a pensar, poderemos acabar de vez com a maldita competição entre pastores e a comparação entre pregadores pela igreja. Competição e comparação são as portas para a entrada de partidarismo, guerra, orgulho, justiça própria, fama, insatisfação, críticas e culpa no meio da igreja. Essas palavras jamais devem pertencer ao vocabulário do Reino de Deus.
Em Cristo, a quem devemos dar ouvidos na voz e na vida de seus servos que pregam o evangelho encarnado no púlpito do chão da vida como ela é.
Jairo Filho
Após a leitura compartilho algumas conclusões:
Esse texto dilata minha mente para pensar que é trágico diagnosticar que a audiência evangélica está mais concentrada na embalagem da retórica do que no conteúdo do evanhelho puro, simples e verdadeiro de Jesus Cristo.
Um texto como esse nos alerta e nos incentiva a ouvir a Palavra de Deus mais do que ouvir a retórica humana do pregador. Quando isso não acontece, muita gente é enganada pelo pseudo-evangelho embalado pela fachada de um púlpito eloquente, porque ouvem mais a habilidade retórica do pregador do que o conteúdo de sua mensagem. Isso é semelhante a degustar deliciosamente xixi dentro de uma garrafa de champagne gelada. As pessoas não bebem o conteúdo, mas sim a garrafa e a sua marca.
É verdade que a retórica pode ser uma boa e útil ferramenta para a comunicação do evangelho de púlpito. E ainda que Deus levanta homens especiais com o dom da comunicação para irem e falarem a grandes públicos. Mas, quando a retória do pregador é má utilizada com estrelismo, a eloquência humana pode abafar, esconder, corromper e aparecer mais do que o conteúdo da Palavra de Deus; e a voz do pregador se torna mais ouvida que a voz do supremo pastor Jesus Cristo e a glória de Deus é corrompida.
Por outro lado, também, bom pregador é aquele que, semelhante a Jesus, torna o chão da existência o púlpito da vida com sua pregação encarnada. Ou seja, o púlpito também pode ser mal usado como um lugar de alienação e esconderijo para não conviver com as pessoas e seus dramas na vida real; e o academicismo da ciência teológica e a retórica com inteligência e carisma, exclusivamente humana, podem ser o statos quo do pregador que está com a síndrome de lúcifer, pregando independente da ação sobrenatual do Espírito Santo que opera invariavelmente na vida dos pregadores humildes e simples.
Imagem não é tudo. Prestemos atenção ao conteúdo. Voltemos ao evangelho. Vamos ouvir a voz do supremo Pastor.
Se nós refletirmos bem na dádiva do que o texto nos propõe a pensar, poderemos acabar de vez com a maldita competição entre pastores e a comparação entre pregadores pela igreja. Competição e comparação são as portas para a entrada de partidarismo, guerra, orgulho, justiça própria, fama, insatisfação, críticas e culpa no meio da igreja. Essas palavras jamais devem pertencer ao vocabulário do Reino de Deus.
Em Cristo, a quem devemos dar ouvidos na voz e na vida de seus servos que pregam o evangelho encarnado no púlpito do chão da vida como ela é.
Jairo Filho
Do útero à sepultura e da sepultura ao útero
Todos nós temos uma grande certeza na vida: Nascemos de um lugar escuro - o útero materno - em meio a lágrimas e sangue; e, qualquer dia desses, nós morreremos e iremos para um outro lugar escuro - a sepultura - também em meio a lágrimas e sangue. O intervalo entre o útero e a sepultura é o espaço-temporal da história de nossas vidas. Olhando desse jeito para nossa existência efêmera, não podemos impedir chegar às perguntas: Por que vivemos? Qual o sentido para acordar e viver todos os dias? Nossa alma precisa saber o sentido de viver nesse mundo para continuar vivendo. Será que você está buscando uma razão maior para viver? Como vivemos do útero à sepultura?
Parece que a existência da grande maioria de nós é igualmente cíclica. Para muitos, o sentido da vida se resume num ciclo de nascimento, brincadeiras na infância, estudo, trabalho, namoro, casamento, filhos, família e morte. Outros seguem um estilo de vida parecido: comem, bebem, trabalham, fazem muitos amigos, buscam eventuais sensações de prazer, ficam realizados; e, no fim, tudo se acaba. Outros, mais idealistas, encontram o sentido da vida no ciclo insaciável de sonhar, planejar, lutar e realizar. Depois de realizar o que sonharam se encontram com o sentimento de que “não era bem isso que eu queria” ou “já realizei. E agora? O que eu faço mais pra continuar vivendo?” Oscar Wilde tinha razão quando afirmou que “neste mundo só há duas tragédias – uma é não conseguir o que se quer, a outra é conseguir”. Este é o retrato da insaciavel alma humana. Será que a vida se resume nas expectativas desses ciclos? Ou será que a vida tem algo mais?
Andando pela vida, percebemos pessoas que vivem apenas a rotina de uma mesma sucessão de dias sem destino nem propósito. São vidas vazias, enfadonhas, depressivas que trabalham arduamente durante a semana, ansiosas pela chegada do fim de semana ou feriados para gastar o que ganharam no trabalho curtindo picos de prazeres momentâneos. O pior é que a frustração e a insatisfação chegam em noites mal dormidas do domingo, porque nenhuma aventura alucinante tão esperada aconteceu, ou porque o que aconteceu não era bem aquilo que queria que acontecesse. E quando a semana começa, com ela vem mais uma expectativa para um novo fim de semana. Para estes, o propósito da vida se resume nas aventuras e realizações dos prazerosos fins de semana da vida. Para esse tipo de gente, a vida é infeliz não porque derramam lágrimas sem cessar, mas porque buscam anestesiar a dor do vazio existencial tentando satisfazer suas vidas com prazeres insaciáveis. Essas pessoas usam a máscara da alegria no grande público durante a semana, mas quando se encontram sozinhas em sua privacidade tem que admitir que tudo o vivem não passa de dramatização e ilusão.
É importante notar que o hedonismo curtido nos fins de semana da vida nos aliena da luta por justiça social, afasta para bem longe a idéia da doença e da morte, nos dá a impressão de que somos super homens com vida eterna aqui na terra, resume a vida numa constante celebração do funeral dos sonhos e do sentido da vida e nos traz a idéia de que estamos sozinhos e abandonados aos caprichos do destino sem nenhuma intervenção divina. A paixão narcisita pelo próprio corpo sarado e emplastificado, as baladas de fim de semana, o sexo superficial e descartável, o consumo de drogas, o vício da auto realização e bem estar, o ateísmo e o sincretismo religioso, e ainda, o consumismo capitalista nos oferecem essa impressão. Quanto mais malham e emplastificam o corpo, mais ficam insatisfeitos com o próprio corpo. Quanto mais festejam a vida, mais se enterram numa depressão existencial. Quanto mais orgasmos sentem, mais sozinhos e carentes de coração vivem. Quanto mais adrenalina e endorfina experimentam, mais ficam viciados numa droga de vida. Quanto mais céticos e religiosos são, mais certeza tem de que sua peregrinação existencial e espiritual caminha perdida e cheia de dúvidas, medo, culpa e preconceito. Quanto mais sonham, realizam e compram, mais insatisfeitos, pobres e vazios ficam. E a sensação que se tem é que do útero à sepultura tudo é inútil e em vão. É como nascer para correr atrás do vento e morrer de mãos e corações vazios. Mas será que a vida se resume a isso, ou existe um outro estilo de vida com sentido?
A Palavra de Deus, revelada nas sagradas escrituras judáico-cristã, intrepreta essa vida enfadonha, depressiva, inútil, hedonista e sem Deus como conseqüência da culpa do pecado do homem que o separou de Deus (Romanos 3.23). É por isso que do útero a sepultura a vida é sem sentido, vazia e sem destino certo. As pessoas sem Deus vivem seu estilo de vida como rebelião contra Deus, vivem uma inimizade contra Deus (Colossenses 1. 21 e Efésios 4.17), sentem um prazer ímpio de desobedecer a vontade de Deus (Romanos 1. 29-32) e, como conseqüência, andam pela vida mortas e enterradas na sepultura de seu próprio pecado (Efésios 2.1). O homem cometeu um suicídio existencial quando decidiu viver independente de Deus (Romanos 6.23.). Porque fomos criados por Deus para viver em Deus e não sem Deus. Por isso que não há vida sem Deus. Quando o homem decide viver sem ter um relacionamento com Deus, ele se perde na sua própria existência e morre sem Deus, vivendo do últero a seputura uma vida mesquinha, sem sentido, sem esperança e sem vida.
Mas a Palavra de Deus tambem nos apresenta Jesus Cristo como a único sentido para vida, sendo ele a nossa nova vida (Filipenses 1.21) e a nossa única esperanca para viver aqui e agora e lá e além por toda eternidade. Quando lemos a Biblia, encontramos a boa notícia do favor imerecido de Deus que nos ressuscita da sepultura de nossos pecados (Efésios 2.4-6) e nos faz uma nova criação (I Coríntios 5.17). Ou seja, a cruz de Cristo é a prova do amor de Deus pelos pecadores (Romanos 5.8) como ato de reconciliação (Colossenses 1.22 e Romanos 5.10 e 11), perdão dos pecados (Romanos 5.1), salvação eterna e novo estilo de vida de obediência por meio de Cristo. Quando chegamos ao pé da cruz de Cristo, nosso coração é convertido pela graça de Deus, através da fé em Jesus e arrependimento dos nossos pecados. Pela fé, Jesus Cristo passa a ser reconhecido como único e suficiente Senhor e Salvador de nossas vidas. A partir dessa entrega, caminhamos para um novo estilo de vida onde valorizamos um relacionamento íntimo de amor com Deus por meio de Jesus Cristo, obedecemos a Deus de coração, recebemos a nova vida em Cristo por meio da fé, encontramos sentido e propósito para viver por Cristo e em Cristo (I Coríntios 5.14, 15), recebemos segurança de vida eterna com Deus (João 3.16), e recebemos a missão de viver a vida de Jesus entre as pessoas que convivemos (Atos 1.8). Assim, um relacionamento com Deus por meio de Jesus Cristo é o único jeito de viver capaz de preencher o vazio do coração daqueles que vivem nessa enfadonha sucessão de dias sem sentido nem propósito.
Quando Jesus entra em nosso coração, sentimos arrependimento pelos nossos pecados. Ou seja, o arrependimento provoca em nós uma mudança de mente, uma expansão de consciência, uma redefinição de nossos valores e prioridades, uma visão de mundo pela perspectiva de Deus, novos sentimentos, desejos, vontades, disposição, atitudes e comportamentos, uma mudança e abandono da rota do pecado para dar um giro de 180º em direção ao caminho da vida com Deus. E essa transformação do ser acontece por um processo gradual e continuo pela resto da vida na formação do caráter de Cristo em nós. Ou seja, de uma vida que valoriza a estética de um corpo sarado, em Cristo, passamos a valorizar o caráter das pessoas. De uma cosmovisão que busca exclusivamente realização individual, em Cristo, passamos a buscar justiça social. De múltiplos orgasmos pornográficos, superficiais e descartáveis, em Cristo, passamos a fazer sexo no casamento com amor e fidelidade. De corpos viciados em plásticas, regimes e na tirania da estética da moda, em Cristo, passamos a desfrutar da beleza do amor de Deus e da vida simples com as pessoas que amamos. De um consumismo desenfreado, em Cristo, passamos a viver contentes e satisfeitos em toda e qualquer situação (Filipenses 4.11-13), porque Deus é o nosso bem maior. De uma vida alienada e anestesiada pelo êxtase dos entretenimentos e hedonismos dos fins de semana da vida como fuga da realidade, em Cristo, passamos a desfrutar de todos os momentos rotineiros de nossa vida com sentido, saboreando cada detalhe da vida em pedaços deliciosos de se viver um banquete com Deus, mesmo estando no vale da sombra da morte (Salmo 23). De uma vida enterrada no vício de uma vida de droga e de uma droga de vida, em Cristo, passamos a viver libertos pela verdade (João 8.32) de uma vida em abundância (João 10.10b) da presença do amor de Deus. E de uma vida deprimida no tédio ocioso existencial, em Cristo, passamos a ter o propósito de viver em prol do Reino de Deus a serviço das pessoas. Essa é a nova vida que Deus nos oferece, em Cristo, que nos resgata da sepultura do pecado para renascer do útero de Deus.
Deus te chama da sepultura do pecado para renascer no útero de Deus. Somente em Cristo, rebemos a nova vida de desfrutar de um relacionamento íntimo de amor com Deus. Assim, se você quer se encontrar consigo mesmo, viver contente em todas as situações e circunstâncias reais da vida, encontrar o sentido de acordar todos os dias, acorde antes para encontrar o lugar do relacionamento de Deus na sua vida antes que seja tarde demais. Saia do sepultura do pecado e venha renascer do útero de Deus pela fé em Jesus Cristo. E seja perdoado para desfrutar da amizade de Jesus Cristo e viver a vida em abundância de obediência a santa vontade de Deus.
JAIRO FILHO
Karis
David Kornefield, Karis e Débora Kornefield
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Acho que a frase que melhor resume a história de Karis é essa:
"Ter fé quando não há milagres é um milagre maior do que ter fé para operar milagres". Caio Fábio.
Pense nisso!
Em Cristo,
Jairo Filho
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Por que ir à igreja?
Introdução
Por que ir à igreja? Quando faço essa pergunta quero perguntar: Por que ir ao culto no templo? Por que se reunir com outras pessoas para cultuar a Deus? Qual a motivação verdadeira para sair de casa e ir cultuar a Deus com outras pessoas? Qual a motivação para priorizar na agenda semanal a adoração em comunidade? Qual a base bíblica que nos ensina a verdadeira motivação para cultuar a Deus com outras pessoas? Diante de tais perguntas, pretendo visitar esse tema com o propósito de discernir as mais íntimas motivações e intenções do coração de quem (não) vai se reunir com outras pessoas para cultuar a Deus. Este discernimento será trazido à luz dessas perguntas; e buscaremos na Palavra de Deus as motivações verdadeiras sobre cultuar a Deus juntamente com outras pessoas.
Vamos pensar sobre este tema estruturando nossa reflexão em três partes principais: (1) Porque eu não vou à igreja. Nessa parte vamos apenas descrever e avaliar as principais justificativas de quem não se reúne para cultuar a Deus. (2) Porque eu vou à igreja. Nessa parte vamos revelar as principais motivações e intenções distorcidas, enganosas e erradas de quem vai à igreja. (3) A Bíblia me motiva ir à igreja para adorar a Deus. Nessa parte vamos aprender as motivações bíblicas para cultuar a Deus em comunidade.
Parte I - Porque eu não vou à igreja
Na atual pós-modernidade, que se já se decepcionou e hoje se rebela contra toda religiosidade institucional, os vínculos religiosos estão se acabando cada vez mais rapidamente com o surgimento das múltiplas espiritualidades subjetivas, divorciadas do compromisso com qualquer instituição religiosa. Por isso, muitos perderam de vista ou ainda não enxergaram a necessidade de se reunir para adorar a Deus periodicamente e sistematicamente com compromisso de ser membro fiel de um grupo. Assim, muitos levantam algumas objeções contra a necessidade de ir à igreja. Vejamos nessa primeira parte 15 principais objeções:
1. Eu não vou à igreja porque Deus não habita em santuários feitos por mãos humanas. Esse argumento é construído com base no texto de Atos 17:24b. Muitos advogam que Deus é maior do que o templo; sendo assim, não há necessidade de ir ao templo para adorar a Deus. Geralmente, esse é o argumento dado por aqueles que rejeitam todo tipo de reunião comunitária para adorar a Deus.
2. Eu não vou à igreja porque Deus é onipresente e onisciente. Se Deus está em todo o lugar e sabe de tudo, então não é necessário sair de casa para adorar a Deus reunido com outras pessoas, uma vez que é possível adorar a Deus dentro do nosso quarto (Mt 6:6). E com isso, muitos usam o atributo da onipresença e onisciência de Deus (Sl 139:1-12) para não cultuá-lo no templo reunido com outras pessoas.
3. Eu não vou à igreja porque eu mesmo sou a igreja. Sabendo que todo salvo é templo do Espírito Santo, e, sendo assim, é a igreja de Cristo, não há necessidade de chamar o templo de igreja. E com isso, não há dever de sair de casa para adorar a Deus no templo, pois a verdadeira adoração não acontece num lugar geográfico, mas no coração, em espírito e em verdade. Assim, uma vez que o culto não deve acontecer no templo de tijolos, mas dentro de nós mesmos, o templo do Espírito Santo (I Co 6:19, 20), conclui-se que não é necessário ir à igreja.
4. Eu não vou à igreja porque não sou um fanático religioso. Um dos argumentos de destaque para não ir à igreja é aquele que nega a necessidade de freqüentar a igreja toda a semana para cultuar a Deus, sob a justificativa de não se tornar um fanático religioso. Alguns raramente vão à igreja, e quando isso acontece é para aliviar o peso da consciência religiosa, indo apenas em dias especiais como casamento e batismo. Esse argumento não nega totalmente a importância de ir à igreja, mas não enxerga a necessidade de freqüentar o culto na igreja toda semana.
5. Eu não vou à igreja porque o culto é incompreensível e irrelevante. Muitos justificam sua ausência aos cultos na igreja porque não entendem o vocabulário usado na liturgia. As músicas, orações e o sermão são expressos numa linguagem incompreensível e de difícil explicação. Sendo assim, todo o conteúdo do culto se torna irrelevante para todos os que buscam conhecer Deus e alcançar transformação pessoal. Boa parte dos sermões pregados é recheada por jargões eclesiásticos e um dialeto evangélico conhecido exclusivamente pelos iniciados. Além disso, os assuntos pregados são desconexos da vida real e da necessidade do ouvinte. Por isso, muitos não vão à igreja porque não entendem o idioma dos crentes.
6. Eu não vou à igreja porque há monotonia e tédio em todo o culto. Este argumento é levantado por aqueles que já visitaram uma igreja onde sua liturgia se parece mais com um funeral. As músicas são enfadonhas; as orações são melancólicas, desanimadas, decoradas e repetitivas; o ritmo e o tom de voz do pregador são cansativos; e assim, a reação do público é de sonolência contagiante e náusea repugnante. Todos saem do culto torturados pela tristeza e oprimidos pelo tédio, carregando o desespero de que serão obrigados a voltar na semana seguinte para continuar esse ciclo litúrgico engessado e penitente por toda a vida. Por isso, a sensação de liberdade provocada pela ausência ao culto é considerada melhor do que o tédio do culto.
7. Eu não vou à igreja porque o culto é irracional. Muitas expressões de culto em algumas igrejas causam a impressão de que os crentes são um bando de loucos e a igreja não passa de um hospício. As danças imitam passos de animais, os ritmos das músicas são frenéticos, a melodia da voz de quem ora provoca êxtase e hipnose, o sermão é gritado num berro ensurdecedor e manipulador, a reação coletiva do auditório é um emocionalismo irracional. E assim, o tal culto é uma lavagem cerebral doentia, depressiva e opressiva.
8. Eu não vou à igreja porque todos são obrigados e forçados a ir. Muitos carregam o trauma de infância de serem obrigados e forçados a ir à igreja como castigo. Muitos pais castigaram seus filhos por meio da ameaça da obrigação de ir à igreja. Muitos se sentiam reféns de seus tutores quando eram carregados algemados para o culto e ficavam encoleirados no banco da igreja, amarrados pela camisa de força do legalismo religioso, enquanto seu coração esperneava de desejos pela libertinagem. Por isso, muitos vêem hoje o culto na igreja como um presídio moral ou uma casa de tortura espiritual.
9. Eu não vou à igreja porque todos os que cultuam são pecadores hipócritas. A decepção com a igreja produz o cinismo de encarar todos os cultos como o teatro moral dos crentes hipócritas. E a maior reação de vingança contra o trauma da tortura religiosa sofrida - quando descobre que a maioria dos crentes são tarados mascarados de santos - é ter ojeriza e desprezo por cultos na igreja.
10. Eu não vou à igreja porque sou condenado por ser quem sou. Muitas pessoas se sentem pecadoras demais para ir à igreja. Exemplo: Experimente convidar um travestir para ir à sua igreja. Tenho quase certeza de que a resposta dele será: “Não vou. A igreja não vai me deixar entrar nem me receber. Sou pecador demais para ser aceito na igreja.” Muitas igrejas não estão preparadas para receber pecadores em seus cultos. O culto dessas igrejas é feito por e para pessoas religiosamente perfeitas. Seus olhares de condenação apedrejam todos os pecadores carentes da graça de Deus. A discriminação pelos pecadores rouba o lugar da graça de Deus oferecida a todos. Quem ousa entrar nesses cultos, entra num julgamento litúrgico tenso que resulta numa penitência obrigatória de disciplina e discriminação. A tristeza, o medo e o castigo fazem parte de todo o culto. E quem sai do culto, leva consigo mesmo o coração ferido pela imagem de um Deus opressor, tirano e carrasco.
11. Eu não vou à igreja porque as panelinhas da igreja me excluem. Muitas pessoas deixaram de ir à igreja porque não encontraram brechas para o encontro humano, a convivência e a amizade. A antipatia, a indiferença, o medo do diferente, a discriminação, o exclusivismo destrói uma recepção calorosa, simpática, graciosa, aconchegante, digna e amorosa de boas vindas. Acredito que a falta de relacionamentos sadios e verdadeiros seja a principal causa da ausência aos cultos e da rejeição ao convite para ir à igreja. Muitos deixam de ir à igreja porque experimentaram um cenário eclesiástico de guerrilhas políticas, rivalidades ministeriais, competições legalistas de espiritualidade, muitas intrigas de irmãos etc.
12. Eu não vou à igreja porque não concordo em dar o dízimo e a oferta em dinheiro. Outras pessoas desistem de ir à igreja decepcionadas com os apelos dos pregadores da prosperidade financeira que tem enriquecido a custa das ofertas voluntárias do povo simples, carente, inocente e cheio de fé. E com isso, todos os cultos são generalizados e qualificados no mesmo patamar.
13. Eu não vou à igreja porque nada me agrada no culto. Algumas pessoas insatisfeitas negam o convite para ir à igreja porque o culto não é atraente nem agradável aos seus critérios de avaliação litúrgica. Vejo pessoas super exigentes reclamando da arquitetura do templo, do nível social dos membros da igreja, do som, do repertório das músicas, da mensagem pregada, do tempo de duração do culto etc. Enquanto uns querem que o culto seja um show de entretenimento, outros querem que seja feito igual aos cultos tradicionais do passado. Enquanto uns querem um culto que agrade somente a si próprio, outros querem fazer um culto que agrade a todos.
14. Eu não vou à igreja porque não tenho tempo. É a justificativa dada geralmente por quem trabalha muito ou daqueles que não priorizam em suas agendas um momento para cultuar a Deus na igreja. Estas pessoas trocam o dia de adoração na igreja pelo descanso em casa ou inventam algo mais importante para fazer bem na hora do culto e usam esse pretexto para não ir à igreja.
15. Eu não vou à igreja porque eu não quero. Alguns dizem que nada no culto desperta vontade de ir à igreja. Não há um só grande motivo que os atraia para a igreja. Nada os convence de ir à igreja. Outros até são convencidos que devem se reunir para cultuar a Deus juntos, mas não priorizam em suas agendas os cultos e são atraídos por outros compromissos, ou se deixam dominar pela preguiça, ou fabricam desculpas descaradamente fajutas para disfarçar o desejo real de não ir à igreja porque, simplesmente, não querem.
Conclusão: Todas essas justificativas nos conduzem a verificar o seguinte sintoma: Além de não irem ao templo cultuar a Deus, muitos nem sequer lêem a Bíblia ou oram em casa com suas famílias e/ou amigos. Geralmente, quem dá essas justificativas nem sequer cultua a Deus sozinho em casa; assim, sua comunhão com Deus se torna cada vez mais rara, superficial e distante. Essas justificativas merecem nossa atenção e nos conduzem a rever a necessidade de aprender sobre a motivação bíblica de freqüentar o culto público.
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Parte 2 - Porque eu vou à igreja
Apesar de observarmos os templos cheios de multidões, nem sempre podemos concluir que as pessoas se reúnem para cultuar a Deus com as motivações e intenções verdadeiramente bíblicas. Nessa parte vamos observar e avaliar as mais diversas motivações distorcidas e enganosas que nos levam ir à igreja. Vejamos 10 argumentos:
1. Eu vou à igreja porque sempre fui à igreja. A maioria das pessoas vai à igreja por causa da tradição familiar. Alguns pensam: “Se todo mundo vai, eu também vou. Se todo mundo vai, então eu devo ir à igreja porque é correto”. Essas pessoas foram ensinadas desde sempre a freqüentar a igreja e nunca questionaram as motivações e as necessidades de ir à igreja. Geralmente, essas pessoas são freqüentadoras assíduas e raramente faltam aos cultos. Essas pessoas estão tão acostumadas a ir à igreja que o dia de culto se tornou sagrado e sua ida à igreja é automática e mecânica. São pessoas que jamais pensam em sair da igreja, porque tal suposição é quebrar toda a tradição religiosa prendida e herdada pela famíla. Mas, quando são questionadas sobre os motivos bíblicos para ir à igreja, essas pessoas não sabem responder os motivos pelos quais os levam a sair de casa para se reunir no culto público.
2. Eu vou à igreja para preservar minha reputação religiosa. Reputação é o que eu sou quando todo mundo está me olhando. É aquilo que dizem acerca de mim. É a imagem que construo acerca do meu nome. É a fama que recebo dos que me observam. Sendo assim, alguns vão à igreja para preservar a imagem de que são freqüentadores assíduos dos cultos na igreja. E essa freqüência à igreja é o que define sua identidade religiosa. Geralmente, quando pensam em faltar o culto dizem: “O que vão pensar de mim se souberem que faltei o culto nessa semana?” Assim, para preservar seu status religioso fazem de tudo para não faltar os cultos na igreja, pois o que impede a ausência ao culto é a preocupação com a opinião dos outros. Se ninguém criticasse, acredito que muitos não iriam à igreja.
3. Eu vou à igreja para fazer publicidade espiritual. O culto na igreja se torna uma passarela para o desfile da performance religiosa. O tom das orações, os gestuais, as expressões do corpo, as roupas, os elogios, os jargões eloqüentes do pregador, os aplausos são demonstrações da exibição pública de uma espiritualidade ego-látrica. Pessoas vão à igreja para transformar o culto numa olimpíada religiosa para marcar recordes e alcançar rankings de espiritualidade. O culto se torna uma competição de egos famintos por glória. Tem gente que vai a Escola Bíblia para transformá-la num ringue quando promove debates bíblicos e teológicos irrelevantes e abstratos. Tem gente que vai ao culto de oração para fazer seu show da fé ser visto pela mídia religiosa. Tem gente que vai ao culto de louvor para publicar suas coreografias decoradas e hipócritas através dos gestuais piedosos e expressões corporais angelicais. Geralmente, as pessoas que tem essas posturas usam o culto na igreja como ambiente para expressarem suas mais íntimas e inconscientes carências de elogios.
5. Eu vou à igreja para ser salvo. Acredito que esse é um dos maiores motivos de tantos templos estarem cheios. As igrejas estão lotadas de gente cheia de justiça própria, querendo conquistar e comprar a salvação pela sua assiduidade ao culto. Apesar de saber que a salvação é pela graça, mediante a fé, muitos ainda internalizam e vivenciam a fé de que fora da igreja não há salvação. Assim, permanecem dentro do templo cultuando para não perder a salvação lá fora, como se a garantia da salvação estivesse na geografia do espaço sagrado do templo.
6. Eu vou à igreja para ser abençoado. A palavra benção se tornou sinônimo de lucro, bens materiais, vantagem, prêmio. Aqui surge a assiduidade à igreja como barganha. Alguns pensam: “Vou à igreja tantas semanas para conquistar a benção que tanto desejo”. Após receberem a benção esperada, saem da igreja; e só voltam outra vez quando estão novamente em extrema necessidade. Quando são abençoados, a glória é dada a igreja; pois tem gente que testemunha que sua vida está marcada por antes e depois da freqüência à igreja. Quando a igreja não oferece a benção desejada, a pessoa sai da igreja ou nunca mais entre nela. Essa motivação fabricado uma geração de ex membros de igreja. É trágico diagnosticar que essa motivação tem produzido portas dos fundos da igreja que expelem mais desviados para fora do que a porta de entrada que recebe novos convertidos para dentro.
7. Eu vou à igreja porque tenho medo do castigo de Deus. O medo produz o combustível para conduzir pessoas à igreja. A imagem que muitos carregam de Deus é a de um deus ditador, tirano e carrasco. Esse deus fabricado pela mentalidade religiosa tem obrigado muita gente a ir à igreja pelo medo do castigo. Dessa forma, muitos pensam: “Se eu não for à igreja, Deus vai me castigar”. Ou ainda concluem: “Estou doente hoje porque faltei o culto da semana passada”. Assim, acredito que se não houvesse castigo do inferno, os templos estariam vazios hoje.
8. Eu vou à igreja para pagar penitência e aliviar a consciência. Para muitos, passar 1 hora dentro do templo é uma grande penitência. Alguns pagam suas promessas das barganhas feitas com Deus indo ao culto no templo. Alguns prometem: “Se Deus fizer esse milagre, eu prometo que irei a tantos cultos”. O resultado é que saem da igreja com a sensação de que estão quites com Deus, que fizeram sua parte, e sentem alívio por estarem desobrigados a fazer mais para Deus. Outros vão à igreja pouquíssimas vezes apenas para manter o vínculo com a tradição religiosa. Ou seja, tem gente que vai à igreja só em casamento, funeral, batismo, santa ceia ou para pedir perdão pelos pecados.
9. Eu vou à igreja quando há culto com entretenimento. Existe um público que só vai à igreja quando o culto tem uma programação especial, atraente, diferente, agradável ao seu paladar litúrgico. Quando há oração, leitura bíblica, adoração, pregação da Palavra de Deus, comunhão dos irmãos, o culto é tachado de chato. Muitos avaliam o culto usando muitos dos critérios de avaliação dos entretenimentos da televisão ou dos grandes eventos seculares; ou ainda, dos critérios de produção empresarial. Quando o culto é parecido com um show e/ou com um programa de televisão, as igrejas lotam; e o sucesso do culto é evidenciado e aplaudido. Dessa forma, a igreja se torna exclusivamente num clube social de entretenimento, ou num parque de diversão, ou numa festa e balada gospel. Além disso, o sucesso de um culto é avaliado pela quantidade de pessoas dentro do templo. Com isso, o culto a Deus é trocado pelo culto ao entretenimento. Ou seja, Deus é reduzido à imagem do entretenimento quando a presença de Deus é simbolizada pelo prazer da diversão, descontração do ambiente e alegria dos crentes clientes. O resultado disso é que a presença de Deus é associada sempre a presença de entretenimento. Se houver entretenimento, Deus está presente e o culto foi uma benção; caso contrário, ninguém vai numa igreja onde o deus entretenimento está ausente. E assim, aquilo que é chamado de culto vira uma baladinha gospel de idolatria ao entretenimento.
Conclusão: É interessante notar que essas motivações enganosas e fora dos padrões bíblicos abrem espaço para meditarmos sobre conceito bíblico de culto e liturgia, religiosidade, justiça própria, identidade e missão da igreja, ministério e nossa visão do caráter de Deus. Agora pergunto a você: Por que você vai a igreja? Qual a motivação que te leva a sair de casa e se reunir no culto a Deus? Pense nisso! E não esqueça: Deus já sabe a resposta. Não adianta fingir.
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Parte 3 - A Bíblia me motiva ir à igreja
Poucas pessoas sabem exatamente os motivos bíblicos que nos incentivam a sair de casa e promover uma reunião comunitária de adoração a Deus com os nossos irmãos em Cristo. Nessa parte vamos meditar sobre as bases bíblicas que nos induzem a ir à igreja para cultuar a Deus em comunidade. É necessário deixar bem claro que nosso objetivo aqui não é examinar exaustivamente a teologia do culto nem fazer um resgate histórico das mais diversas expressões litúrgicas na igreja cristã, como também não é produzir e descrever uma eclesiologia sistemática. Nosso objetivo é simplesmente passear panoramicamente pelas Escrituras Sagradas a fim de encontrar algumas evidências do propósito de Deus em reunir seu povo para adorá-lo e serví-lo mutuamente em amor.
1. A Bíblia me motiva ir à igreja porque fui criado para adorar a Deus por meio de relacionamentos no culto em comunidade. Isto é, a natureza humana foi criada à imagem e semelhança da trindade. O nosso único Deus é trino: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Deus é uma comunhão entre pessoas divinas, distintas e iguais ao mesmo tempo; e não existe solitariamente. Interessante notar que mesmo sendo criado por Deus e para Deus, e mesmo desfrutando da presença de Deus no Éden, o homem está só. Deus anuncia o diagnóstico da solidão humana quando disse: “Não é bom que o homem esteja só...” (Gn 2:18). Ou seja, o homem se sente só pela ausência de um ser semelhante. O homem possuía alguém acima dele – Deus – e também abaixo dele – a criação -, mas não possuía ninguém ao lado dele, como seu igual; e nessa dimensão estava sozinho. Por isso que não é bom que o homem esteja só sem alguém semelhante ao seu lado. A criação do homem seria totalmente completa quando fosse criado alguém semelhante para conviver em relacionamento com o homem. Assim, para o homem ser completo é necessário viver numa relação entre iguais. E refletirá a imagem e semelhança da trindade quando desenvolver essa unidade com o próximo e com Deus. Por isso, podemos dizer: Pessoas precisam de Deus. Pessoas precisam de pessoas. São dois lados da mesma moeda. As pessoas precisam se relacionar com pessoas para serem plenamente pessoas. Ser gente de verdade é estar junto de gente. Ninguém é chamado a viver sozinho. Ninguém é uma ilha humana. Nossa humanidade é restaurada quando há relacionamentos humanos, encontros em comunidade, reunião de pessoas em torno da pessoa e obra de Cristo. Assim, a espiritualidade em Cristo é comunitária e relacional, pois ninguém cultua a Deus sozinho sempre. Em Cristo, somos chamados a conviver com as pessoas e cultuar a Deus juntos. E a verdadeira adoração se expressa quando refletimos a imagem e semelhança de Deus em nós por meio dos cultos em comunidade.
2. A Bíblia me motiva ir à igreja porque Deus chama e reúne seu povo para adorá-lo no culto em comunidade. O Antigo Testamento nos apresenta o culto a Deus feito em e pela família na época de Adão até os Patriarcas. Caim e Abel sacrificaram (Gn 4:3, 4). Noé sacrificou após sair da arca (Gn 8:20). Jó oferecia continuamente holocaustos pela expiação dos possíveis pecados dos seus filhos (Jó 1:5). E lemos no livro de Gênesis os patriarcas cutuando a Deus com suas famílias por meio da circuncisão (Gn 17:9-14), oferecendo seus filhos em sacrificio a Deus (Gn 22:1-19), construindo marcos de adoração a Deus (Gn 28:18). Não se sabe exatamente como eram esses cultos, mas podemos dizer que suas famílias eram testemunhas desses cultos. Na época de Moisés, o povo se reunia para cultuar a Deus, mediados por sacerdotes, usando o Tabernáculo que transportava a Arca da Aliança, a habitação simbólica de Deus. Além disso, os sacerdotes traziam a Palavra de Deus, inscritas nas duas pedras, peranto o povo, para a leitura pública da Lei do Senhor. Na época de Davi até o Exílio, a adoração era de um povo como um todo no templo. Davi deu prescrições, em nome de Deus, a respeito dos corais, dos grupos instrumentais, dos sacrifícios, do serviço sacerdotal e das festas de sábado. Ou seja, a adoração acontecia no templo com todo povo reunido. Na era do Exílio, com o templo destruído, não há sacrifício nem sacerdote; disso surge a sinagoga como lugar de culto dos grupos fiéis a lei do Senhor. Na era pós-exílica, com Neemias e Esdras, o templo foi restaurado, os sacerdotes e os sacrifícios voltaram, mas a ênfase agora é colocada sobre a leitura pública e ensino da lei do Senhor. Assim, brevemente podemos perceber que todo o Antigo Testamento nos mostra Deus reunindo seu povo para adorá-lo em ajuntamentos públicos com música, oração e pregação da Palavra de Deus.
3. A Bíblia me motiva ir à igreja porque Jesus reúne seus discípulos para adorar a Deus no culto em comunidade. Os evangelhos nos apresentam Jesus chamando e formando discípulos. Nesta formação podemos destacar pelo menos alguns momentos em que Jesus nos ensina a adorar a Deus em comunidade. Primeiro, quando Jesus ensina seus discípulos a orar (Mt 6:9-13). Perceba que a oração ensinada por Jesus é feita com pronomes no plural para indicar a oração em ajuntamento. Os discípulos devem se reunir para orarem juntos ao mesmo Pai que tem filhos, e seus filhos são todos irmãos da mesma família. Esta família reconhece a grandiosidade, a soberania, o reinado, a santidade, a provisão, o perdão e a proteção do Pai. Esta família é chamada a perdoar uns aos outros e a partilhar o pão com os necessitados. O segundo momento de ajuntamento solene é a ceia do Senhor (Mt 26:26-30; Mc 14:22-25; Lc 22:19-20). Jesus reúne seus discípulos para celebrarem, como irmãos da mesma família, a encenação da obra redentora da cruz por meio do vinho e do pão. Além disso, Jesus e seus discípulos cantam um hino juntos em adoração a Deus (Mt 26:30 e Mc 14:26). Terceiro, Jesus ensina o sermão do monte com a multidão e discípulos reunidos (Mt 5 a 7). O propósito de Jesus é que a multidão de ouvintes sejam discípulos que aprendam a viver juntos o evangelho do Reino de Deus. Quarto, Jesus reúne seus discípulos para ensinar lições de serviço, humildade e amor uns aos outros na encenação do lava pés (Jo 13). E no quinto momento, Jesus reúne a multidão carente de pastor, faminta e cansada para operar milagres de cura, ensinar o evangelho do Reino e dar de comer a multidão com o milagre da multiplicação de pães e peixes. Neste milagre destaca-se a maneira como Jesus entregou o milagre à muldidão. Jesus ordena a criação de grupos pequenos para transformar a multidão sem rosto numa comunidade humanamente digna e justa (Lucas 9:14). Jesus promove uma nova forma de organização do povo: em vez de uma multidão de gente se acotovelando e competindo para pegar comida, Jesus forma uma reunião de cerca de duzentas e quarenta comunidades, compostas de cinqüenta pessoas cada. E além do mais, levou a multidão ao status de companheiros que compartilham e dividem o mesmo pão; e ainda cuidam e administram para que nada se perca a fim de compartilhar com os demais necessitados em outro lugar e ocasião. Só em comunidades de servos as pessoas podem ser alcançadas e alimentadas por Jesus. Assim, a oração, a ceia do senhor, os hinos cantados, a pregação do evangelho, o serviço, a humildade, o amor e os milagres são feitos no cenário do ajuntamento dos que foram alcançados pela graça de Deus.
4. A Bíblia me motiva ir à igreja porque o Espírito Santo reúne a comunidade dos discípulos de Jesus como Igreja. Após a ascenção de Jesus, houve o derramamento definitivo do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus enquanto “estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2:1). Logo em seguida, Pedro prega para todos reunidos, e três mil aceitaram a palavra e foram batizados. E a igreja em formação se caracterizava pela comunhão. E a comunhão era o cenário para o estudo da doutrina dos apóstolos, do culto de oração, do partir do pão, do temor do Senhor, dos prodígios e sinais (Atos 2:42-47). “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum...Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus...” (Atos 2:44, 46, 47). A igreja orava reunida quando estava sendo perseguida, de tal maneira que “tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo, e com intrepidzez, anunciavam a palavra de Deus” (Atos 4:24 e 31). “Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão” (Atos 5:12). “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cesavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo”(Atos 5:42). O Espírito Santo se manifestava no meio da igreja reunida para eleger seus obreiros (Atos 6:2 e 5; 13:1-3). Ao voltarem para Antioquia, a igreja reunida ouviu o relatório ministerial de Paulo e Barnabé (Atos 14:27). O Espírito Santo também se manifesta na liderança da igreja reunida para esclarecer a aplicação das doutrinas da Palavra de Deus (Atos 15:28). A igreja reunida é fortalecida pelo conselho bíblico dos líderes da igreja (Atos 15:30-35 e 16:4, 5). Ao voltarem para Antioquia, a igreja reunida ouviu o relatório ministerial de Paulo e Barnabé (Atos 14:27). Assim, uma igreja reunida é o cenário para a manifestação da presença, propósito e poder de Deus.
5. A Bíblia me motiva ir à igreja porque a igreja é o ajuntamento dos crentes em Jesus. A palavra igreja, no grego chama-se "ekklesia", significa reunião, congregação, assembléia do povo de Deus. Esse encontro dos discípulos de Jesus forma a igreja. Para entender isso, as Escrituras do Novo Testamento nos fornecem uma ampla variedade de metáforas e imagens que descrevem a igreja. Vejamos alguns: Paulo vê a igreja como uma família (I Tm 5:1-2; Ef 3:14; II Co 6:18). Somos, portanto, irmãos e irmãs uns dos outros na familia de Deus (Mt 12:49-50; I Jo 3:14-18). As diversas faixas etárias, homem e mulher, e graus de filiação formam a diversidade da igreja em ajuntamento. Paulo também refere-se à igreja como a noiva de Cristo (Ef 5:32; II Co 11:2) e corpo de Cristo (I Co 12:12-27; Ef 1:22-23; 4:15-16 e Cl 2:29). Surge a idéia do homem coletivo. Em Cristo, todos somos um. Deus olha para a igreja como um ser corporativo unido pela diversidade de seu povo. A igreja não é somente um novo templo para adorar a Deus; é também um novo grupo de sacerdotes, um “sacerdócio santo” que pode oferecer “sacrifícios aceitáveis a Deus” (I Pe 2:5). Há no Novo Testamento a igreja como um grupo de cristãos de qualquer tamanho, desde um pequeno grupo que ser reúne sempre em uma residência (Rm 16:5; I Co 16:19) até o conjunto de igrejas de toda uma cidade (I Co 1:2; II Co 1:1 e I Ts 1:1) ou região (Atos 9:31). Dessa forma, a igreja expressa sua identidade quando promove reuniões públicas para o culto a Deus.
6. A Bíblia me motiva ir à igreja porque o batismo e a santa ceia são ministrados no culto em comunidade. Tanto o batismo (Mt 28:19, 20 e Mc 16: 15, 16) quanto a ceia (Mt26:26-30; Mc 14:22-25; Lc 22:19-20 e I Coríntios 11:17-34) são ordenanças que Jesus deixou para a igreja. E essas ordenanças são realizadas em culto público. Primeiro, o batismo e a pública profissão de fé são cerimônias de consagração feitas publicamente para expressar que os membros da nova aliança – aqueles que receberam de Deus um novo coração (Ez 36:26-27) são membros da igreja local. O batismo e a pública profissão de fé nos identificam como membros da comunidade chamada de povo de Deus – a igreja. Além disso, a ceia do Senhor também é corporativa. Mark Denver disse que: “E tomar a ceia do Senhor é uma participação da unidade da comunhão da igreja em torno da redenção de Jesus Cristo e da proclamação de sua obra e Pessoa salvadora, por meio dos símbolos do pão e do vinho”. Assim, no batismo, a igreja celebra a entrada de mais salvos pela graça no corpo de Cristo e membros na igreja local. Na ceia, todos celebram juntos a visualização evangelística da cruz de Cristo. Tanto o batismo como a ceia do Senhor são celebrações comunitárias de adoração feitas por toda a igreja reunida.
7. A Bíblia me motiva ir à igreja porque a Palavra de Deus é ensinada no culto em comunidade. Quando a igreja se reúne para adorar é extremamente crucial a pregação da Palavra. A Bíblia é doada a todos para que se faça o livre exame das Escrituras, pois Deus fala com cada um de nós em sua Palavra. Porém, sabemos que nem todos tem condições de ler, interpretar e aplicar corretamente a Palavra de Deus. O encontro de Felipe com o Eunuco é um exemplo disso. O Eunuco não entendia às Escrituras que estava lendo; porque, como ele mesmo disse: “Como poderei entender, se alguém não me explicar?” (Atos 8:30 e 35). Por isso, devemos reconhecer que o Espírito Santo concede dons de profeta, mestre, evangelista, pastor-mestre para alguns vocacionados ao ministério da Palavra (I Co 12:8-10, 28; Ef 4:11; Rm 12:6-8). Os apóstolos são exemplos de quem recebeu esse dom. Eles enfatisaram o ensino bíblico em todas ocasiões em que a igreja estava reunida. Pedro explica toda a manifestação do Espírito Santo no Pentecoste à toda igreja reunida e aos povos de todas as nações que estavam visitando Jerusalém (Atos 2:14-36). Estevão faz um longo discurso antes de ser assasinado (Atos 7:2 – 53). Paulo pregava nas sinagogas afirmando que Jesus é o Filho de Deus (Atos 9:20). O Espírito Santo reúne Cornélio, seus parentes e amigos íntimos para ouvir a pregação de Pedro (Atos 10:24, 27). E quando ainda Pedro falava “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra”(Atos 10:44). A Palavra de Deus foi pregada à igreja reunida quando Barnabé e Saulo foram à Antioquia. “E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão” (Atos 11:26). Paulo pregava no meio da multidão que afluia para ouvir a palavra de Deus (Atos 13:16-41 e 44). Paulo e silas pregam aos bereanos reunidos na sinagoga que “receberam a palavra com toda avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17:11). Em Trôade, Paulo exortava os irmãos reunidos com um discurso público até romper da alva. E a ênfase do ministério de Paulo na igreja de Éfeso foi a pregação pública da Palavra (Ef 20:17-38). Dessa forma, Deus ordena aos pastores que leiam regularmente a Bíblia e a pregue na adoração pública da igreja (I Tm 4:13; II Tm 4:2). Quando um culto é centralizado na pregação da Palavra, a vida e o crescimento da igreja local acontecem naturalmente pelo poder da Palavra de Deus. Assim, a Escola Bíblia Dominical, o culto de adoração no domingo à noite, os cultos de estudo Bíblico, a classe de discipulado para novos membros; enfim, todas as programações da igreja devem ser centralizadas e baseadas na pregação da Palavra de Deus.
8. A Bíblia me ensina ir à igreja para orar com os irmãos em comunidade. O culto comunitário é o contexto onde oramos para adorar a Deus e oramos para interceder uns pelos outros. “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens” (I Tm 2:1). Este mandamento é dado no início de um capítulo que o apóstolo Paulo instrui a Timóteo sobre a organização e a adoração corporativa. Vale lembrar que Jesus citou o profeta Isaías, ao dizer: “A minha casa será chamada casa de oração” (Mt 21:13). A Bíblia nos ensina a forma de orar (Mt 6:5-8) e o conteúdo da oração (Mt 6:9-13). Em Atos 12:12 vemos a igreja reunida orando na ocasião da prisão e libertação de Pedro da prisão (Atos 12:1-11). A oração nas reuniões da igreja é o contexto para o povo de Deus ser mais sensível a presença amorosa e a manifestação poderosa de Deus. Dessa forma, todo e qualquer culto deve ter oração; e devem ter cultos voltados especificamente para a oração. Sem oração não há culto.
09. A Bíblia me motiva ir à igreja porque a música cantada congregacionalmente é um instrumento que me conduz à adoração comunitária. Antes de tudo, temos que entender que música não é adoração, mas apenas um instrumento que nos ajuda a cantar em uníssono a nossa adoração comunitária. Também temos que entender que a adoração cantada não consiste em priorizar a satisfação pessoal do auditório, quer de nós mesmos, quer de toda a congregação, quer dos incrédulos interessados. A adoração musical no ajuntamento coletivo é um serviço de consagração, entrega e doação de nossa vida a Deus. As letras das músicas devem ser totalmente coerentes com o evangelho e nos conduzir a confessar nossa pecaminosidade, receber a graça e misericórdia de Deus, adorá-lo por sua bondade para conosco, reconhecer nossa extrema carência e depedência de Deus, responder com amor, fidelidade e santidade em toda circunstância, falar bem do caráter e das obras de Deus etc. Quando cantamos a Palavra de Deus juntos, forjamos a unidade de fé, vida e doutrina, pois nossas canções congregacionais funcionam como credos confessionais. A música cantada pela igreja em uníssono oferece linguagem bíblica e oportunidade de encorajar uns aos outros na Palavra, na fé e na adoração ao único Senhor. Isso implica que ao nos reunir estamos lembrando uns aos outros que não estamos sozinhos em nossa confissão de fé em Jesus. Quando estamos cantando juntos, evidenciamos a natureza participativa da adoração por meio da música. Como a adoração é um serviço ativo, a música congregacional nos livra de assistir ao culto como espectadores passivos. Além disso, a música congregacional nos livra e nos afasta do perigo do culto de entretenimento quando há ênfase extremanda e exclusiva nas apresentações especiais de solistas, onde a congregação só fica assistindo passivamente o show do músico. Por isso, o estilo de música escolhido no culto público deve ser a música congregacional – o canto que envolve a participação ativa de toda a congregação. Assim, deve ser usado o canto congregacional como expressão de unidade e harmonia da congregação reunida.
10. A Bíblia me motiva ir à igreja porque há reciprocidade espiritual para a edificação de toda a comunidade reunida em culto. O culto comunitário é o espaço para que todos o crentes desenvolvam a reciprocidade espiritual na edificação da fé mútua.Como? "Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5:19). “Que fazer, pois irmãos? Quando vos reunis, um tem um salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele ,outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para a edificação...para todos aprenderem e serem consolados” (I Co 14:26 e 31). “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazeio-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Col 1:16, 17). Assim, o culto é a oportunidade de cada um ajudar o outro na fé e a exercer reciprocidade através do compartilhar das vidas e do serviço mútuo.
11. A Bíblia me motiva ir à igreja porque os dons do Espírito e os ministérios são desenvolvidos no culto em comunidade. O texto de I Coríntios 14 registra o ensinamento de Paulo sobre a manifestação e o uso correto dos dons do Espírito Santo durante o culto corporativo (I Co 14:23). Quando há o uso correto dos dons, os pecadores não salvos são convencidos do pecado, tornam-se vulneráveis e sensíveis a verdade a respeito de si mesmo; ou seja, eles olham para dentro do seu próprio coração e percebem a miséria pecaminosa deles mesmos. Além disso, o Espírito usa os dons do Espírito para atrair os não salvos para Deus, de tal modo que a presença de Deus é reconhecida quando exclamam: “Deus está, de fato, no meio de vós” (I Co 14:24). Assim, todo elemento do culto é feito para a edificação da igreja quando todos aprendem a Palavra e recebem a consolação do Espírito Santo. Além disso, os ministérios de serviço são criados, desenvolvidos e expressos a partir do ajuntamento dos crentes em Jesus (I Co 12:8-10, 28; Ef 4:11; Rm 12:6-8 e I Pe 4:11). Esses dons e ministérios só são conhecidos quando há ajuntamento público e convivência mútua entre os crentes da igreja. Quando reconhecemos que algumas pessoas tem certos dons e ministérios, é aberto espaço para a liderança e o serviço ministerial de alguns. É neste contexto que a igreja reunida reconhece os dons dos pastores, presbíteros, diáconos e demais obreiros e os elege para serví-los oficialmente e publicamente como detentores de autoridade em benefício de toda a igreja (Atos 6:1-7; 13:3; Fp 1:1; I Tm 4:14; I Tm 5:17-21; I Tm 3:2-5, 10; I Tm 3:8, 13; Tito 1:5; I Pe 5:2-5). Outra forma de serviço quando a igreja está reunida é a partilha e a oferta voluntária aos necessitados (Atos 2:45 e 4:32-34, II Co 8:1-5). A palavra "ekklesia", além de significar reunião, assembléia também significa "enviados para fora" (Atos 13:1-3).Isso quer dizer que o todo ajuntamento da igreja deve promover seu espalhamento pelo mundo, quando, abastecida e capacitada ministerialmente a partir de seus ajuntamentos, a igreja sai para fora do templo para servir o próximo sinalizando o Reino de Deus no mundo através dos dons do Espírito descobertos e amadurecidos nos ajuntamentos e exercidos no mundo. Assim, a igreja serve a Deus espalhada no mundo porque periodicamente se reúne para expressar sua identidade reunida ou espalhada no mundo, e ainda, se ornganizar para, unida, servir a Deus no mundo com muito mais poder.
12. A Bíblia me motiva ir à igreja para cultivar e preservar a membresia na igreja local. Não há explicitamente versículos que nos ordenem sobre a membresia da igreja local. Porém, há indícios explícitos de que havia membros conhecidos das igrejas locais citadas no Novo Testamento que nos indicam a importância de um rol de membros na igreja local. Exemplo: O caso de disciplina na igreja de Corinto presume um conhecimento público de quem pertencia a igreja e de quem não pertencia (I Co 5:12, 13). Quando Paulo disse à igreja de Corínto que readimitisse o ofensor à sua comunhão, ele declarou: “Basta-lhe a punição pela maioria” (II Co 2:6). A “maioria” citada só faz sentido no contexto de que a igreja conhece visivelmente e exatamente quem são seus membros na igreja local para distinguir entre o todo, a maioria e a menoria. Além disso, temos algumas listas de cristãos de algumas igrejas locais reconhecidos pela sua fé e obra (Rm 16:3-16; Cl 4:10-17; I Tm 5:9). A membresia da igreja local é importante para fazer distinção clara e visível entre o povo santo e o mundo perdido. Esta distinção serve para produzir um melhor testemunho corporativo da igreja para a sociedade incrédula.
13. A Bíblia me motiva ir à igreja para ser pastoreado com o discipulado contínuo e disciplina quando necessário. A igreja é a vida comunitária dos crentes em Jesus para a convivência mútua de relacionamentos e para o testemunho cristão no mundo através do serviço à sociedade incrédula. Valorizando a convivência da igreja há o discipulado. Valorizando o testemunho da santidade do cristão no mundo e a santidade de Deus na igreja, às vezes, há a necessidade de disciplina. Sabendo que cada igreja local é designado um pastor, devemos entender que cada membro deve ser pastoreado com um discipulado pessoal e contínuo. Quando somos membros de uma igreja local, há uma relação de discipulado entre o pastor e a ovelha. Assim, o pastor está ciente de que o membro é prioridade para o cuidado pastoral. E o membro abre espaço para receber a autoridade do pastor e sua vida.
14. A Bíblia me motiva ir à igreja porque a congregação reunida tem livre acesso para adorar a Deus por meio de Jesus guiado pelo Espírito Santo. O autor aos hebreus diz: “Não descuidemos os nossos deveres na igreja, nem as suas reuniões, como algumas pessoas fazem, mas animemo-nos e nos admoestemos uns aos outros, especialmente algora que o dia da sua volta está se aproximando.” (Hb 10:25). Não deixemos de nos congregar, porque, em Cristo, temos livre acesso a Deus pelo Sangue de Jesus (Hb 10:19). A igreja se reúne para estar na presença de Deus por meio de Jesus “para estimular-mos ao amor e às boas obras" (Hb 10:24b), e ainda no ajuntamento há oportunidade de encorajar uns aos outros a preservar na fé.
15. A Bíblia me motiva ir à igreja porque o amor de Deus Pai, a obra redentora de Jesus Cristo e o ministério do Espírito Santo me convocam a reunir por amor com meus irmãos em comunidade. Jesus disse que o mundo saberia que a igreja são seus discípulos quando o amor se manifestar uns pelos outros no mesmo molde do amor de Jesus por nós (Jo 13:34-35). A igreja é a comunidade dos salvos pela graça da cruz; é a comunidade da família do amor e a comunidade dos servos humildes que exercem seus dons mutuamente em favor da edificação da igreja e da sinalização do Reino de Deus no mundo. Esse é o plano de Deus em reunir seu povo e essa é a obra do Espírito Santo em edificar uma igreja que se reúne e se espalha no mundo. Na comunidade cristã reunida nós temos o compromisso de desenvolver e crescer rumo ao amadurecimento espiritual de todos os crentes “...até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus...seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo...para edificação de si mesmo em amor” (Ef 4:13-16). Quando essa verdade é experimentada desenvolvemos naturalmente a cultura do ajuntamento coletivo para o culto. Sabendo que a igreja, como corpo de Cristo, é uma entidade corporativa podemos encorajar os mesmos a priorizarem na agenda de suas vidas à frequência semanal aos cultos mais do que uma vez por semana, a desejarem a presença dos irmãos nas reuniões da igreja, a incentivá-los a descobrir seus dons e ministérios dando espaço e oportunidades para o serviço cristão, a encorajá-los a orar e aconselhar uns aos outros, e participar ativamente da liturgia do culto público.
Conclusão: Pensar sobre ajuntamento cristão para culto abre espaço para a necessidade de pensar na identidade e missão da igreja. Vale lembrar que o propósito desse estudo não é produzir ou descrever uma eclesiologia sistemática, mas, simplesmente, meditar nas bases bíblicas que me motivam a promover ajuntamento dos discípulos de Jesus para adorar a trindade e servir o próximo enquando sinaliza o Reino de Deus no mundo através de seus relacionamentos dentro e fora dos ajuntamentos. Também vale lembrar que a identidade de ser discípulo de Jesus como sua igreja transcende os ajuntamentos. O Reino de Deus é sinalizado quando há o espalhamento dos crentes em Jesus salgando toda a terra. Essa idéia é o outro lado da moeda de ser igreja. Sendo assim, devo pontuar que meu destaque nesse estudo é encontrar bases bíblicas para a promoção de ajuntamentos sadios entre os discípulos de Jesus. Releia, pense, avalie, acrescente, remova, concerte e amadureça tudo o que escrevi até agora. Também preciso de sua ajuda ser igreja e ir à igreja com você. Pois juntos, reunidos em nome de Jesus, somos a igreja.
Em Cristo, o Senhor da igreja que nos reúne como seu corpo para adoração e serviço no mundo
Jairo Filho
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